- Onde você estava mocinha?
Virei-me devagar.
- Oi pai.
Ele colocou a mão em minha testa, estava morna pelo vento de hoje.
- Lá fora de novo?
Assenti com a cabeça.
Uma coisa que você deve saber sobre meu pai. Ele não era meu pai de verdade.
Meus pais haviam morrido na resistência. Não estavam lutando, mas me esconderam
e tentaram ajudar outras pessoas a encontrarem abrigo.
Meu pai de criação era um homem vinte anos mais velho que eu, e eu realmente o
via como um pai e não como outra coisa qualquer.
Entreguei a ele a bolsa com pão e um pequeno pote com creme de avelã.
Ele sorriu.
- Foi o Josh, não é?!
- Só ele consegue essas coisas.
- Esse menino vai acabar sendo pego.
- Mas enquanto isso, eu e ele vamos tentar não deixar o buraco com fome.
Ele me abraçou.
- Você está grande demais, e me lembra seu pai.
Fisicamente eu tinha os traços da minha mãe. Era loira, os cabelos ondulados e
os olhos que variavam do verde ao azul. Já espiritualmente, meu pai estava em
todo o meu ser.
Meu pai de criação era branco, o cabelo e os olhos pretos e eu,
particularmente, o achava lindo. Até acho que se meus pais fossem vivos, eu
teria uma queda por alguém como ele, mas aprendi a amá-lo somente como meu pai.
- Acho melhor você dormir. Amanhã é dia de colheita e sei que você e Josh amam
isso.
- Ah, pelo amor de Deus. - Falei, fazendo com que ele risse.
O deixei comendo e enquanto isso fui colocar uma roupa para dormir.
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