Acordei
com o vento frio no meu rosto. Josh dormia do meu lado.
Levantei
e lá estava Lex, deitado, completamente encolhido de frio.
Peguei
a capa que usei como travesseiro e coloquei sobre ele.
Fiquei
ali parada, olhando enquanto ele dormia. Comecei a pensar que realmente tinha
pegado pesado com ele, afinal ele era só um garoto, ele tinha a minha idade,
ele não tinha participado daquilo tudo.
O
tempo estava nublado, e pela primeira vez agradeci pelas roupas que distribuíam
no buraco serem sempre quentes.
-
Não fui eu. – Lex falou, estava sonhando, ou tendo pesadelos. – Eu juro, eu não
fiz nada, a culpa não é minha, por favor!
Ele
começou a se debater, eu não sabia o que fazer.
Foi
então que eu lembrei. Quando eu era pequena, minha mãe aquecia as mãos e
massageava minhas têmporas quando eu estava com medo ou tendo pesadelos.
Uma
parte de mim perguntava por que eu estava fazendo isso, mas outra dizia que eu
precisava fazer isso.
Aqueci
minhas mãos uma na outra, me ajoelhei ao lado dele e comecei a massageei suas
têmporas. Ele começou a se acalmar o que me deixou aliviada.
- To
vendo que mudou de ideia. – Falou Josh.
Ele
estava deitado, com um sorriso bobo nos lábios, o que me fez sorrir e corar.
-
Ele estava me assustando. – Falei, me sentando ao lado dele. – O que descobriu?
-
O planeta deles é conquistador de vários outros planetas. E eles nunca contam a
história de como os planetas foram conquistados. Quando contei a ele sobre o
massacre, só faltava ele começar a chorar.
Eu
não pude deixar de sorrir, ele era um deles, mas era diferente da maioria, e eu
quase conseguia gostar dele.
-
E o homem da foto? O pai dele?
-
Comandante Alarik. Disse que é o mais importante da frota.
-
Uau, acho que nos metemos em encrenca.
-
Acho que não... Pelo que ele disse, não vão procurar por ele tão cedo.
-
Por quê?
-
Ele brigou com o pai... O acidente da nave, ele estava indo para uma vila onde
o pessoal dele se instala na superfície.
Assenti.
Só
então lembrei que eu e Josh estávamos realmente encrencados.
-
Nós dormimos fora do buraco.
-
Seu pai...
-
Meu pai? Acho que seus pais são piores, eles são os governantes do buraco.
Josh
olhou pra mim, os olhos cheios de pânico.
-
Já sei, podemos falar que chegamos tarde demais e que saímos cedo. – Ele falou.
-
Não... Eles têm câmeras por todo buraco, menos na escotilha.
Eu
e ele tínhamos desenvolvido a habilidade de ler as mentes um do outro, o
sorriso ou o olhar. Sabíamos tudo um do outro praticamente, sem precisarmos
trocar uma palavra.
Começamos
a acordar Lex.
-
Precisamos ir... O que acontece com você? – Josh perguntou.
-
Eu vou ficar bem, só vou ficar com frio.
-
Vamos até o buraco e pegamos uma capa pra você. – Falei.
Josh
me olhou, como se não pudesse acreditar que eu tinha dito aquilo em voz alta.
Descemos
o prédio e corremos o mais rápido para o buraco.
Assim
que entramos, trancamos a escotilha.
Josh
segurou meu braço. Ficamos em silêncio e escutamos passos vindo pela passagem.
Olhei para Josh.
-
E agora? – Sussurrei.
Ele
se deitou no chão.
- Vem,
finja que está dormindo.
Deitei
em cima do braço dele e fechamos os olhos.
Os
passos ficaram mais próximos e logo pararam a nossa frente.
O
perfume da pessoa era inconfundível.
-
Vamos meninos, sei que você estão acordados e que vocês chegaram agora.
-
Nos desculpe Aleck, perdemos a hora...
-
Não precisa se desculpa Josh, os dois estão bem. O problema é que... Bem, não
quero que aconteça nada com vocês.
Olhei
para Josh.
-
Café da manhã então? – Falei.
Meu
pai nos ajudou a levantar, passou o braço por cima dos meus ombros, nos levando
para casa.
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