Eu
saí do desmaio, mas não acordei.
No
meu sonho, eu via Josh falando com Lex. O sonho mudou e eu estava dentro de uma
nave com um explosivo na mão. Ouvia-se barulho de alarmes e luzes vermelhas
piscavam sem parar.
“Solta isso aí, temos tempo de
armá-lo e sairmos daqui” – Lex gritava.
O
explosivo não se soltava da minha mão.
“Vamos, seu pai e Josh não vão
aguentar muito tempo com aquela nave”
“Mas Josh sabe pilotá-la, ele vai
ficar bem.”
Armei
o explosivo e ele finalmente se soltou da minha mão.
“Vamos, meu pai está vindo!”
“Você vai matá-lo?”
“Não, ele vai vir para a cápsula de
fuga.”
Começamos
a correr pela nave e acabamos nos perdendo. Todas as cápsulas de fuga haviam
sido usadas, nos deixando presos na nave que explodiria.
“O que vamos fazer?”
“Não se preocupe Kat, vou dar um
jeito.”
Faltavam
vinte segundos para explodir. Lex mexia em vários monitores, tentando localizar
mais cápsulas.
10
segundos...
09
segundos...
“Lex...”
Ele
já estava desesperado à procura de cápsulas, mas nenhuma delas respondia o
chamado de socorro de dentro da nave.
05
segundos...
“Kat...”
Ele
veio até mim e me abraçou.
03...
02...
01...
Tudo
explodiu e eu acordei.
Meus
pulmões queimavam e as costas ardiam por causa do suor.
-
Sonho ruim? – Meu pai perguntou, entrando no quarto com um kit de primeiros
socorros.
-
É... Pode ser...
-
Toma. Vista essa blusa.
Era
uma blusa feita com um material diferente, mais leve e suave. A blusa cobria a
parte da frente e deixava as costas e os braços à mostra.
-
Obrigada pai.
-
Agora venha, tenho que limpar os ferimentos e fazer o curativo.
Tentei
não gritar dessa vez, mas ainda ardia e doía até os ossos. A melhor parte, foi
quando ele fez o curativo.
Ele
colocou um líquido gelado que eu não sei o que era, mas era refrescante e fez
com que a dor parasse.
-
Bem... Isso está bem feio.
Virei-me
de costas e tentei olhar um pouco pelo espelho. Os cortes ocupavam todo o
pedaço de pele e a maioria deles eram profundos.
Os
cortes de meus braços e de meu rosto já haviam cicatrizado e desaparecido,
deixando algumas cicatrizes bem claras, quase invisíveis.
Os
cortes das pernas estavam cicatrizados, mas as cicatrizes que deixaram eram
horríveis.
Olhei
para meu pai, que tinha uma cara de preocupação. Sorri para ele, o que o fez
ficar mais aliviado.
-
Ainda estou apresentável pai.
Ele
me deu um beijo na testa.
-
Josh voltou pela madrugada. Falou algo sobre “o plano está em andamento”.
Fechei
os olhos e suspirei aliviada.
-
Preciso falar com ele.
-
Vou chamá-lo.
-
Não pai... Eu tenho que ir.
Ele
espremeu os lábios, mas logo abriu um sorriso.
-
Seu pai ficaria orgulhoso de você.
Olhei
o relógio, cinco e meia da manhã, estava quase na hora da minha execução, mas
eu não ligava, iria andar pelo subterrâneo assim mesmo.
[...]
Fui
até a casa de Josh.
A
população era obrigada a acordar cedo em dias de execução, porque os executados
serviriam de exemplo para que ninguém cometesse o mesmo erro.
No
caminho, todos os olhos se voltavam para mim, afinal as roupas curtas e
decotadas e meus cortes chamavam o máximo de atenção possível.
-
Olha quem acordou. – Josh falou, vindo me dar um abraço.
Ele
tomou cuidado com minhas costas.
-
Posso?
Assenti
e ele me virou para examinar meus cortes.
-
Uau... Você está...
-
Eu sei... Sou a noiva do Frankenstein.
-
Não... Você está linda, essas cicatrizes te deram um ar mais... radical!
-
Ai que idiota!
Eu
consegui rir, meu rosto já não doía mais.
-
Olha, me desculpa... Pelo beijo e tal.
-
Beijo? Que beijo? – Falei, sorrindo.
Ele
sorriu e passou o braço pelo meu ombro.
-
Vamos, está na hora da sua execução.
[...]
A
execução seria às sete da manhã.
Josh
me levou para comer alguma coisa antes de irmos para a praça.
As
meninas da minha idade olhavam para minhas cicatrizes. Eu tinha um joelho roxo
pelo tombo que levei no dia anterior. O lugar onde a mãe de Josh havia me dado
um soco tinha um hematoma arroxeado, mas quase desaparecendo.
Comemos
pão com creme de avelã e isso era quase dizer adeus, de alguma maneira.
-
Josh... Se eu não morrer, quero morar na superfície, mesmo que o plano de Lex
não dê certo. Quero tirar você e meu pai daqui.
-
Primeiro: Você não vai morrer, pare de falar isso. Segundo: É claro que iremos
com você!
Eu
sorri. Como ele podia ter tanta certeza de que eu não morreria?!
O
relógio bateu sete da manhã. O cheiro de pão e café recém-feitos saia de
restaurantes e de bares.
Era
uma maneira agradável de morrer, ao cheiro de pão fresquinho e café quente.
Josh
me levou até onde estava sua mãe, não soltou minha mão por um segundo.
-
Você me envergonha garoto. – A mãe dele disse.
Josh
olhou pra mim e sorrimos.
Ele
me deu um beijo demorado na testa.
Não
parecia que eu seria executada, eu estava muito feliz para quem seria
decapitada, ou assassinada a tiro, ou seja lá a forma como iam me matar.
Subi
até um pedestal e lá tinha uma cadeira elétrica.
-
Porque não me matam de um jeito mais simples? – Falei.
-
O que queria? Ser decapitada? – Falou o carrasco.
-
Talvez um tiro na testa fosse melhor. – Falei.
Mantiveram-me
de pé, não sei exatamente pra quê o hino do que um dia fora os Estados Unidos
tocou.
A
mãe de Josh permanecia em pé ao meu lado.
Quando
o hino acabou, o lugar foi tomado por um silêncio mortal.
-
Queridos cidadãos do subterrâneo, aqui está Katheryn. Acusada de traição,
desacato a autoridade, assassinato do líder do Conselho, senhor Lerangis e
saída dos túneis, podendo trazer risco a vida dos outros moradores.
Eu
tinha um sorriso irritante em meus lábios e meus olhos eram irônicos, por mais
que eu não quisesse expressar nada.
-
O Conselho votou, e ela morrerá na cadeira elétrica.
Levantei
a cabeça para o alto e bufei uma risada.
-
Quais são suas últimas palavras?
-
Espero que um dia, toda a população do túnel acorde e veja o que vocês estão
fazendo... Acho que essa cadeira servirá pra você um dia, senhora Campbell.
A
mãe de Josh me prendeu na cadeira.
-
Você devia estar com uma aparência pior, ainda vai morrer bonita demais.
-
Obrigada pelo elogio. – Falei.
Ela
se afastou e pediu que o carrasco ligasse a cadeira.
Fechei
os olhos e me preparei para o choque, quando a energia foi cortada e tudo
mergulhou em completa escuridão.
As
pessoas não paravam de falar e não havia nada para iluminar o lugar.
-
Fique em silêncio. – Uma voz falou atrás de mim, enquanto soltava minhas mãos.
Aquela
voz era inconfundível.
Josh
era a pessoa mais esperta que eu conhecia. Ele deu um jeito de convencer a me
colocarem na cadeira para que pudesse ter um motivo para minha execução ser
interrompida completamente na escuridão, assim ninguém veria Lex ali.
Enquanto
Lex me soltava, a mãe de Josh tinha alguns ataques de nervos ao lado da
cadeira.
-
Segure minha mão e não solte.
Segurei
sua mão o mais firme possível. Senti um embrulho no estômago e quando percebi
estávamos na caixa de força do subterrâneo.
-
Como você...?
-
Teletransporte é um dos meus poderes.
Não
consegui ficar séria naquelas circunstâncias.
-
Josh, pronto pra ligar a energia? – Lex falou.
-
Acho melhor pegar Aleck primeiro, o Conselho vai atrás dele, é melhor sairmos
todos juntos.
Lex
desapareceu de novo.
-
Vocês mudaram o plano? – Perguntei.
-
Não... Só criamos um pra te salvar.
Lex
apareceu a minha frente com meu pai.
-
Vou levá-los lá pra fora, já venho te buscar. – Lex falou para Josh.
Ele
pegou minha mão e saímos do lado de fora da escotilha.
Lex
desapareceu de novo. Ouvi o estalo da energia do subterrâneo e os dois
apareceram.
-
Precisamos correr, eles virão atrás de nós. – Josh falou.
Começamos
a correr.
-
Pra onde estamos indo? – Meu pai falou.
-
Para o esconderijo, senhor. – Josh falou.
Logo
estávamos escalando o prédio e estávamos em completa segurança.