domingo, 8 de setembro de 2013

Capítulo 18

POV Kat
Subimos em silêncio para o caso de meu pai e Josh estarem lá. Por sorte, o prédio estava vazio.
Na volta, eu havia ensinado Lex a escalar árvores sem cair, o que foi uma boa diversão, já que Lex era a pessoa mais enrolada que eu havia conhecido.
É, eu começara a tratar Lex como um igual, não como um integrante das Tropas Estelares ou como um alienígena poderoso.
Comemos os morangos que pegamos assim que chegamos ao prédio.
- Preciso aprender mais suas táticas de sobrevivência. É por isso que você e Josh ainda estão vivos!
- Vai aprender com o tempo e com a necessidade, querido! – Falei, passando a mão pelo seu rosto.
Lex ficou parado me olhando. Ficou parado tanto tempo, que eu comecei a me sentir desconfortável.
- O que foi? – Falei, soltando uma risada nervosa.
- Quero que você me ensine uma coisa.
Ele tirou uma pulseira, que se transformou num holograma.
Era um filme terráqueo, antigo, mas não sei ao certo qual. Era um casal dançando.
- Você... Você quer aprender a dançar?
Ele assentiu com a cabeça, e olhou para o chão, o rosto corando.
Está pedindo a pessoa errada, eu nunca dancei. Quis responder, mas passar o tempo com Lex era bom, e eu queria ter a minha primeira dança com ele, pelo menos o básico eu sabia, o que era bom.
- Ok, venha.
Puxei Lex pelas mãos. Ok Kat... Mantenha a calma.
- Primeiro você mantém a postura reta. – Ele fez, e pude ver seus músculos tensos. – Isso. Agora, segure minha mão e não tire os olhos dos meus.
Me senti um pouco estranha dizendo isso, mas continuei. Peguei sua mão e coloquei em minha cintura, sem tirar os olhos dos dele.
Coloquei minha mão em seu ombro e começamos a dançar a música que estava tocando no holograma fazendo o básico dois prá lá, dois pra cá.
Enquanto dançávamos, eu relembrava imagens dos meus pais dançando. Então meu pai me chamava para dançar.
Uma princesa tem que saber dançar. Ele dizia e me pegava no colo e dançava comigo.
Foi o sorriso de Lex que me distraiu dos meus pensamentos. Não pude deixar de sorrir de volta.
- Olha... Você ta dançando. – Foi a coisa mais obvia a se falar, mas foi mais pra descontrair.
Ele relaxou os músculos e se entregou àquele momento.
Colei meu corpo ao dele, passando meus braços em volta de seu pescoço e ele passou as mãos em torno de minha cintura.
Eu me senti segura pela primeira vez depois de muitos anos. Era a mesma sensação de ser abraçada pelo meu pai ou por Aleck. Não havia julgamento ou fim de mundo que me derrubasse naquele momento.
- No que está pensando Kat? – Ele falou.
- Que eu estou segura.
- Como assim?
- Eu... Eu estou com você e... Isso me faz me sentir segura.
Ele soltou uma risada.
- Engraçado... Porque me sinto mais forte quando estou com você.
Paramos de dançar e eu o olhei, sem desgrudar meu corpo do dele.
Olhei em seus olhos.
- Eu te amo Kat, e acho que é a primeira vez que sinto isso.
- Vocês não amam no seu planeta?
Ele baixou os olhos para o chão.
- Acho que não... Bem, na verdade eu não sei, é meio confuso...
- Não tem problema. – Falei.
Nossos rostos estavam perto demais, eu podia sentir sua respiração quente logo acima da minha boca.
Eu fechei os olhos e então pude ouvir alguém subindo o prédio.
Me afastei de Lex o mais rápido possível e ele colocou a pulseira de volta em seu pulso.
Eu o olhei e sorri, tímida e ele fez o mesmo.
Mais um segredo compartilhado, e eu fiquei feliz por isso.
Peguei a cesta que antes tinha morangos e coloquei no lugar.
Josh veio correndo até mim, as bochechas estavam molhadas, cobertas por lágrimas. Sua respiração era pesada.
- O que houve Josh?
- Seu pai... Ele...
Josh colocou as mãos no rosto e começou a soluçar.
Olhei para Lex. Comecei a ficar nervosa, meus olhos se encheram de lágrimas.
- Josh... Cadê meu pai?
- Eu devia ter ficado. – Ele falou.
- Josh!
Ele me olhou.

- Eles o levaram... Uma nave da frota.

Capítulo 17

POV Josh
Eu e Aleck andávamos em silêncio. Nunca havia parado para conversar com ele, mas era grato por ele cuidar tão bem de Kat. E eu preferia que só eu e ele cuidássemos dela, mais ninguém.
Eu o levava para o lugar onde havia ervas medicinais e plantas comestíveis. Aleck logo soube o que fazer. Ele pegou as ervas que provavelmente precisaríamos e alguns temperos.
O silêncio era eterno entre nós, até que Aleck o quebrou.
- Porque fez isso?
- Desculpe...?
- Lex... Porque chamou Lex para nos salvar? Eu sei que não gosta dele!
Senti o sangue subir a minha cabeça, torcendo para que meu rosto não tivesse corado.
- Ela queria que eu o chamasse... Só fiz a vontade dela.
- Sabe que ela está apaixonada por ele, não é?
Contraí meus lábios e fechei os olhos. Por mais que eu tentasse não ligar, Kat estava mesmo apaixonada... E eu não podia fazer nada.
- Sei... Mas ela te falou sobre isso?
- Bem, ela tem muitos pesadelos... E de uns dias pra cá, ela vem falando o nome dele repetidamente.
Era como se acabassem de me dar um soco no estômago. Eu sentia um gosto nauseante em minha boca.
- E o que você acha disso? – Perguntei.
- Ela deve viver a vida dela. Conheci seus pais... O pai era arqueólogo de campo e a mãe trabalhava na NASA. Kat cresceu com histórias dos pais. Ela só está vivendo como eles, curiosidade, adrenalina, aventura... Faz parte dela.
Olhei para o chão e sorri.
Eu teria que me acostumar com a Kat daquele jeito. Ela era “perigosa” demais para ter amigos, mas eu aceitava o desafio.
- Acha que um dia ela poderia gostar de mim?
- Ela é imprevisível demais... Mas se talvez um dia, depois que toda a aventura dela acabar, bem, seria possível...
Sorri assim que Aleck completou a frase.
Foi uma maneira lógica e delicada de Aleck dizer que ela nunca gostaria de mim. A aventura dela havia acabado de começar e se não morrêssemos agora, ela não iria parar nunca mais.
- Vem, vamos voltar. – Aleck falou.

[...]

Eu ia à frente e Aleck me seguia. Fazíamos o caminho de volta para o prédio.
Novamente andávamos em silêncio.
Parei abruptamente quando ouvi um ruído fino muito ao longe.
- O que houve Josh?
- Está ouvindo? Tem algo errado...
Eu preferia que o silêncio não tivesse sido quebrado.
O barulho ficou cada vez mais alto, até que descobri que ele vinha dos propulsores de uma nave. E por sorte ou por azar, ela era da frota, e vinha logo atrás de nós.
Aleck me entregou a bolsa com ervas e temperos.
- Corra Josh, corra.
- Eu não vou voltar sem você!
- Você precisa avisar a eles.
- Se eu chegar naquele prédio sem você é provável que eu morra.
- Você não tem escolha garoto... Talvez eles saibam o que fazer. Me deixe aqui, corra o máximo que puder.
Comecei a correr.
Meu coração pesava. Eu queria voltar e puxar Aleck a forma, mas ele havia ficado como isca, para que não nos descobrissem. Aleck havia sido levado.
Eu havia escorregado para trás de uma pedra que me cobriu enquanto eu fiquei deitado, até que a nave você embora. Eu respirava com dificuldade, mas não me preocupei com a altura da minha respiração.
- Se você tem o conhecimento do paradeiro do cadete Lex, avise imediatamente, ordem das Tropas Estelares.
Eu fiquei em silêncio, ainda tentando controlar minha respiração e as lágrimas que começavam a se criar em meus olhos.
A nave decolou, fazendo um barulho ensurdecedor e logo me deixou sozinho, no silêncio que só era interrompido pela minha respiração pesada.
Olhei por cima da pedra, para ter certeza de que eles não estavam mais ali. Então corri em direção ao prédio.
Eles haviam levado Aleck e queriam Lex, precisávamos de um plano o mais rápido possível.

domingo, 1 de setembro de 2013

Capítulo 16

Quando deu por volta de duas da tarde, eu estava suando. Eu necessitava de um banho mais eu não iria sozinha até a cachoeira, era perigoso demais.
Pensei por um momento... Meu pai e Josh não voltariam tão cedo, o que só me restava Lex como opção.
Verifiquei a ideia de fazer um pedido que não fosse tão constrangedor, afinal, eu estaria pedindo para ele me acompanhar em um banho.
Fui até Lex, que estava na beirada do terraço, a arma em punho, numa posição ereta.
- Hm... Lex... – Chamei.
Ele me olhou. Os olhos estavam vermelhos.
- Oh meu Deus, porque você está chorando?
Ele largou a arma, que bateu no chão com um baque surdo, e me abraçou. Colocou o rosto em meu pescoço e não parou mais de soluçar.
Eu detestei vê-lo daquele jeito. Sabia que estava assim por causa do pai dele que, pelo visto, eram muito colados.
- Hei... Vai ficar tudo bem. – Falei, enfiando os dedos das minhas mãos em seus cachos castanhos.
- O pior de tudo, é que eu não consigo ficar com raiva dele.
- Isso é bom... Você não pode ferir seu pai, isso é ótimo.
Suas bochechas estavam vermelhas de tanto chorar, o que deixou com a aparência fofa, mas sofrida... Acho que eu devia ter essa aparência.
Ele limpou o rosto na camisa e respirou fundo.
- Melhor? – Perguntei.
Ele assentiu com a cabeça e eu sorri.
- Então... O que você ia me pedir?
- Não que dar um volta na cachoeira comigo?
Ele sorriu.
Dessa vez peguei toalhas e uma muda de roupas minhas e do Josh para o caso de acabarmos entrando na cachoeira de roupas.

[...]

Quando chegamos, devia estar pra dar uma três ou quatro da tarde. A água na cachoeira estava morna como sempre.
- Então Lex eu... Queria tomar um banho, porque os machucados não me deixaram tomar um banho descente.
Ele fez uma expressão espantada, como se tivesse acabado de dizer um absurdo.
- Tem algum problema? – Perguntei, um pouco constrangida.
- Eu, ahn... Não... Na verdade, er... Pode tomar banho, mas você... Quer dizer, sem roupa?
Achei fofo o jeito como ele se enrolou, mas permaneci séria.
- É... Bem, como se toma banho de roupa?
- Ok eu, ahn... Não ligo não... Pode ir lá.
Fui até a margem da lagoa e comecei a tirar minha roupa, olhando para trás de vez em quando para ver se Lex não estava me olhando. Ele não olhou nenhuma vez, ficou na mesma posição ereta do terraço e fiquei com medo de ele estar chorando de novo por algum motivo.
Pulei na água e ela me cobriu até um pouco abaixo no pescoço, escondendo o meu corpo na água.
- Lex, já pode olhar se quiser. – Chamei.
Ele se virou.
Foi andando até a margem e colocou a arma sobre as minhas roupas.
- Então... Como está a água? – Ele perguntou.
- Morna e boa. – Falei, sorrindo.
- Eu queria entrar... Mas eu vou respeitar seu corpo.
Achei fofo demais da parte dele. Pela primeira vez, achei que Lex fosse realmente Marius, que faz par romântico com Cosette, bem, mas eu não era ela.
Lex começou a se afastar da margem.
- Hei Lex, vai aonde?
- Vou dar uma volta, qualquer coisa, a arma está aí.
Ele começou a subir a cachoeira e eu comecei a me desesperar. Não fazia ideia de como usar aquela arma.
Tentei relaxar na água morna.
Não demorou muito tempo, ouvi o grito de Lex e vi que ele pulava da cachoeira.
Eu não pude deixar de rir.
Ele emergiu, sorrindo e jogando o cabelo molhado para trás.
- E aí? Fui bem?
- Claro. – Falei.
Ele chegou mais perto de mim e parou na minha frente.
Seu pé tocou o meu seio.
- Hei garoto, para com isso! – Gritei.
- Oh meu Deus, mas você está sem roupa nenhuma?
- É claro! – Falei.
Fui descendo meu pé pelo peitoral dele até chegar à bexiga.
- MEU DEUS, VOCÊ TAMBÉM TA SEM ROUPA! O QUE ESTAMOS FAZENDO?
Ele começou a rir. Ficou tudo em silêncio, sendo quebrado apenas pela risada dele.
- Do que você ta rindo? – Falei, não contendo o sorriso.
- Acho que estamos nadando pelados... Isso é um problema!
 - É, eu sei.
- E porque estamos rindo?
Sinceramente eu parei pra pensar, mas eu não vi problema nenhum em estar ali com ele, mesmo estando pelados.
- Devemos sair... Se Josh vier aqui estamos perdidos! – Falei.
- Segredo então?
- Claro! – Falei.
Então ele me abraçou. Eu tentei sair do abraço por um minuto, mas vi que não tinha malicia da parte dele... Então não teria da minha parte também.
Ele me carregou do colo até a margem e colocamos a roupa juntos e rindo.

Fomos colher algumas frutas e voltar para o prédio. E esperamos que nem Josh e nem meu pai estivessem lá.

Capítulo 15

Quando chegamos ao terraço, todos se largaram no chão, menos eu, que tinha minhas feridas nas costas sangrando.
A dor fazia com que minhas costas latejassem e eu não conseguia respirar direito.
- Meu Deus, precisamos parar o sangramento. – Josh falou.
- Esqueci o kit no subterrâneo. – Falou meu pai.
Todos olharam pra ele.
- Temos que pegar o que precisamos por aí. – Josh falou.
Lex olhava em silêncio pra todo mundo.
- Espere, eu... Quero tentar uma coisa. – Ele finalmente falou.
Lex colocou a mão em minhas costas e tudo começou a arder, chegava a ser quase insuportável.
Eu comecei a gritar.
- Você está matando ela! – Josh gritou.
Meu pai segurou Josh para que ele não partisse pra cima de Lex. Acho que meu pai havia compreendido o que Lex estava fazendo.
Eu já estava ficando sem voz quando a dor parou de repente.
Eu e Lex caímos no chão. Estávamos ofegantes e Lex estava pálido.
- Kat... Suas costas. – Josh falou.
Fui até a janela do andar de baixo. Olhei para as minhas costas e lá estavam.
Onde antes tinha feridas abertas, em vez de cicatrizes agora tinha tatuagens do que pareciam galhos de árvores.
Ele havia me curado e não havia deixado nenhuma cicatriz.
Fui até ele e me ajoelhei ao lado de onde ele estava deitado tentando respirar novamente.
- Porque fez isso? – Falei, sorrindo.
- Josh disse que você falou que estava feia... Você não é feia, mas fiz com que não se sentisse mais assim.
Dei um beijo demorado em sua testa.
- E agora olha como você está?
- Continuo bonito.
Me levantei e fui até meu pai e Josh.
Josh tinha a pistola de plasma na cintura e preparava uma lança para meu pai.
- Aonde vão?
- Vou dar umas lições básicas pro seu pai e vou mostrar pra ele onde pegar ervas e “medicamentos”, mesmo com Lex aqui pra fazer tudo, precisamos deles.
Assenti. Senti um pouco de mágoa na voz de Josh, afinal meu pai tinha confiado quando Lex começou a me curar.
Fui até Lex de novo, agora ele dormia. A respiração era profunda e pesada e ele ainda estava meio pálido.
Me deitei sobre o braço dele como se ele estivesse me abraçando.
- Ah Lex... – Falei.
Estava testando para ver se ele estava acordado. Como ele não respondeu, continuei falando.
- Eu não sabia que eu ia me apaixonar por você... E você é um idiota. Mas você salvou a minha vida. E eu confio em você. Mas você é um traidor. Nós nos merecemos porque eu também sou. E, merda, porque eu to admitindo isso? Porque dói guardar isso... Acabei de me responder, que babaquice. Viu, você faz isso comigo seu filho rico de um superior. Nem é um xingamento, é só a verdade...
Resolvi calar a boca, vi que eu estava falando sozinha.
Me abracei a ele e fechei os olhos.
- Como eu pude te amar Lex?
O braço dele se apertou ao meu redor e sua boca encostou minha testa.
- Eu também te amo muito Kat.

[...]

Eu tive medo do meu sonho ser o mesmo do de Lex, até porque ele tinha poderes e não eu não sabia se ele podia ler mentes.
Eu e Lex estávamos em uma casa como existia antigamente. No sonho, éramos mais velhos.
Olhando pelas janelas, passavam carros e pessoas na rua.
Lex estava sentado a um piano e eu estava na bancada da cozinha preparando alguma coisa para comer. Ele tocava Castle On A Cloud e eu murmurava a letra da música.
“Cante mais alto, amor.” - Ele pediu.
Cantei mais alto e assim que a música terminou eu suspirei e sorri.
Então Lex veio por trás de mim e me abraçou pela cintura.
“Amo quando você canta.” – Ele falou, beijando meu pescoço em seguida.
“Obrigada.” – Falei.
“Lembro que a primeira vez foi numa caverna.” – Ele falou.
Eu ainda estava sorrindo.
Ele levantou minha blusa. As tatuagens que eu acabara de ganhar tinham flores rosa e vermelhas e pude jurar que elas estavam abrochando.
“As tatuagens estão florescendo... Tem alguma coisa pra me contar?” – Ele falou.
Olhei para ele.
“Estamos esperando alguém...” – Falei.
Ele me pegou no colo e me girou no ar. Quando me colocou no chão de novo, me deu um beijo lento.
“Há quanto tempo sabe?”
“Desde a semana passada, quando os primeiros botões surgiram nas minhas costas.”
Ele sorriu. Estávamos abraçados, os corpos colados, tão perto um do outro que eu tinha que olhar para cima para olhar dentro dos olhos dele. Ele me deu um beijo na ponta do nariz.
Então o sonho mudou.
“Temos que sair daqui!” – Eu gritava, enquanto batia em uma parede.
“Não tem como sair, é uma parede de pedra, o que quer fazer?” – Josh gritou de volta.
Do chão subia água. Subia rapidamente e eu sabia que se não fizéssemos nada, morreríamos afogados.
“Lex... Alguma ideia?”­ – Eu perguntei.
Ele se levantou e o chão abaixo de nós se moveu, fazendo com que fossemos para cima, onde havia uma abertura circular.
Estávamos a uma velocidade rápida demais e estávamos quase saindo. Então colocaram uma pedra impedindo nossa passagem.
Não deu tempo de a pedra desacelerar e parar.
Acordei procurando ar para respirar. Lex não estava mais ao meu lado e o Sol indicava que devia ser meio dia.
- Josh! Lex! Pai! – Gritei.
Como não veio nenhuma resposta, comecei a procurar pelo prédio.
Chegando ao térreo, ouvi um barulho vindo do alto.
Senti um frio percorrer minhas costas, onde estavam as tatuagens. Espero que elas sejam como no meu sonho e que me avisem se eu estiver fazendo alguma besteira.
Comecei a escalar o prédio em silêncio. Quando cheguei ao penúltimo andar, ouvi o barulho de novo.
Fui vasculhando o andar até que vi Lex mexendo em um saco.
- Lex...
Ele se virou e sorriu.
- Ah, oi Kat.
- O que você está fazendo?
- Vem aqui.
Me sentei ao seu lado.
O saco continha armas, e objetos que eu nunca tinha visto.
- Estavam no meu quarto quando voltei à nave... Isso vai ser útil.
- Você conseguiu falar com seu pai?
Ele baixou a cabeça.
- Ele nem quis me ver... Me chamou de traidor. Ele já me deserdou. Sou um exilado.
Eu estava percebendo semelhanças demais entre eu e Lex. Na visão dos nossos “povos”, éramos traidores perigosos. Estávamos em terra de ninguém, no meio de uma batalha que agora não fazia mais sentido, já que os superiores haviam ganhado. E agora estávamos apaixonados. Isso não era muito bom.
- O que vamos fazer? – Falei.
- Temos que destruir a Emperor.
- Emperor?
- É. Uma estação, onde guardam e abastecem todas as naves. A mais perto daqui é a Emperor. Temos que destruí-la.
- Mas... E o seu pai?
Por um momento ele ficou completamente em silêncio, na escuridão do prédio, só conseguia ver seus olhos verdes que tinham um tom sombrio.
- Acho que ele vai ter que ficar por lá. – Ele falou, sério
Lex pegou uma arma e se levantou, subindo de volta para o terraço.

Olhei dentro do saco e tinha um porta-retratos. Na foto, reconheci Lex pequeno, nos ombros do pai antes de ele ser da frota. Pela paisagem, eles ainda não tinham tomado a Terra, e imagino como Lex devia ser feliz antes de ter um pai tão ausente.