domingo, 8 de setembro de 2013

Capítulo 17

POV Josh
Eu e Aleck andávamos em silêncio. Nunca havia parado para conversar com ele, mas era grato por ele cuidar tão bem de Kat. E eu preferia que só eu e ele cuidássemos dela, mais ninguém.
Eu o levava para o lugar onde havia ervas medicinais e plantas comestíveis. Aleck logo soube o que fazer. Ele pegou as ervas que provavelmente precisaríamos e alguns temperos.
O silêncio era eterno entre nós, até que Aleck o quebrou.
- Porque fez isso?
- Desculpe...?
- Lex... Porque chamou Lex para nos salvar? Eu sei que não gosta dele!
Senti o sangue subir a minha cabeça, torcendo para que meu rosto não tivesse corado.
- Ela queria que eu o chamasse... Só fiz a vontade dela.
- Sabe que ela está apaixonada por ele, não é?
Contraí meus lábios e fechei os olhos. Por mais que eu tentasse não ligar, Kat estava mesmo apaixonada... E eu não podia fazer nada.
- Sei... Mas ela te falou sobre isso?
- Bem, ela tem muitos pesadelos... E de uns dias pra cá, ela vem falando o nome dele repetidamente.
Era como se acabassem de me dar um soco no estômago. Eu sentia um gosto nauseante em minha boca.
- E o que você acha disso? – Perguntei.
- Ela deve viver a vida dela. Conheci seus pais... O pai era arqueólogo de campo e a mãe trabalhava na NASA. Kat cresceu com histórias dos pais. Ela só está vivendo como eles, curiosidade, adrenalina, aventura... Faz parte dela.
Olhei para o chão e sorri.
Eu teria que me acostumar com a Kat daquele jeito. Ela era “perigosa” demais para ter amigos, mas eu aceitava o desafio.
- Acha que um dia ela poderia gostar de mim?
- Ela é imprevisível demais... Mas se talvez um dia, depois que toda a aventura dela acabar, bem, seria possível...
Sorri assim que Aleck completou a frase.
Foi uma maneira lógica e delicada de Aleck dizer que ela nunca gostaria de mim. A aventura dela havia acabado de começar e se não morrêssemos agora, ela não iria parar nunca mais.
- Vem, vamos voltar. – Aleck falou.

[...]

Eu ia à frente e Aleck me seguia. Fazíamos o caminho de volta para o prédio.
Novamente andávamos em silêncio.
Parei abruptamente quando ouvi um ruído fino muito ao longe.
- O que houve Josh?
- Está ouvindo? Tem algo errado...
Eu preferia que o silêncio não tivesse sido quebrado.
O barulho ficou cada vez mais alto, até que descobri que ele vinha dos propulsores de uma nave. E por sorte ou por azar, ela era da frota, e vinha logo atrás de nós.
Aleck me entregou a bolsa com ervas e temperos.
- Corra Josh, corra.
- Eu não vou voltar sem você!
- Você precisa avisar a eles.
- Se eu chegar naquele prédio sem você é provável que eu morra.
- Você não tem escolha garoto... Talvez eles saibam o que fazer. Me deixe aqui, corra o máximo que puder.
Comecei a correr.
Meu coração pesava. Eu queria voltar e puxar Aleck a forma, mas ele havia ficado como isca, para que não nos descobrissem. Aleck havia sido levado.
Eu havia escorregado para trás de uma pedra que me cobriu enquanto eu fiquei deitado, até que a nave você embora. Eu respirava com dificuldade, mas não me preocupei com a altura da minha respiração.
- Se você tem o conhecimento do paradeiro do cadete Lex, avise imediatamente, ordem das Tropas Estelares.
Eu fiquei em silêncio, ainda tentando controlar minha respiração e as lágrimas que começavam a se criar em meus olhos.
A nave decolou, fazendo um barulho ensurdecedor e logo me deixou sozinho, no silêncio que só era interrompido pela minha respiração pesada.
Olhei por cima da pedra, para ter certeza de que eles não estavam mais ali. Então corri em direção ao prédio.
Eles haviam levado Aleck e queriam Lex, precisávamos de um plano o mais rápido possível.

Nenhum comentário:

Postar um comentário