Acho
que caí no chão, porque quando recobrei a mim, Lex estava me segurando.
Josh
estava sentado no chão com as costas encostadas na parede, ele soluçava sobre
os joelhos.
O
embrulho no meu estômago cresceu tanto que eu corri até a ponta do prédio e
vomitei lá pra baixo.
Eu
tremia e o gosto na minha boca era horrível.
-
Lex... – Falei.
-
Calma, eu estou aqui.
-
Josh, o que houve, por favor, me fala. – Falei, estava chorando mais do que
nunca.
Ele
me contou tudo. A conversa que tiveram, o barulho, a nave, a isca.
A
raiva começou a crescer de novo dentro de mim. Aleck era a única família que me
restava e agora a frota havia tirado de mim de novo. Eu não podia mais
aguentar.
-
Lex, você pode ajudar não pode? Diga que pode, por favor.
Lex
fez uma pausa, ele fechou os olhos e se afastou um pouco pra pensar.
Ele
disse que devíamos explodir a Emperor, e eu estava pensando nessa hipótese
agora, mas meu pai estava lá dentro.
-
Me desculpe Kat, eu fui um covarde, eu devia ter ido. – Josh falou, já havia
parado de chorar, mas ainda soluçava.
-
Não foi culpa sua... Foi culpa deles, só deles. – Eu falei.
Fiquei
abraçada com Josh até ele ficar mais calmo, ou até eu me acalmar, não sei ao
certo.
Eu
via Lex andando de um lado para o outro. Seu tórax subia e descia com a
respiração pesada.
-
Precisamos invadir a Emperor. – Lex falou, assim que voltou.
-
E como vamos fazer isso? – Josh falou, ainda soluçando.
-
Vocês vão precisar aprender a usar nossas armas, pilotar nossas naves, agir
como nós... Invadimos, salvamos Aleck e explodimos a Emperor.
-
Explodir sua espécie? – Josh falou, estreitando os olhos.
-
Já tinha pensado nisso antes... Kat sabia dessa ideia, mas não tinha ideia de
por onde começar, agora eu sei.
Eu
olhei para Lex e nossos olhos se encontraram. Eu via a mesma raiva que eu
sentia nos olhos dele, e eu não consegui decidir se aquilo era bom ou ruim.
-
Kat, quer me ajudar a subir as armas pra cá?
Assenti
com a cabeça.
Me
levantei e desci com Lex para pegar o saco com as armas.
Eu
quase não tinha força para me manter em pé, mas eu me esforcei mesmo assim.
-
Você está bem? – Lex me perguntou, quando estava no quarto onde tinha deixado
as armas.
-
Eu... Eu não sei... Acho que não absorvi tudo ainda.
Ele
me abraçou. Funguei, porque meu nariz estava escorrendo.
-
Vai ficar tudo bem, eu vou conseguir treinar Josh para tirar o Aleck de lá em
segurança.
Assenti
e acho que o que ele falou me deu um pouco de força pra que eu pelo menos
conseguisse me manter em pé sem precisar me apoiar nas paredes.
Comecei
a levantar o saco com armas, mas Lex não permitiu que eu o levasse.
Ele
subiu as escadas sozinho e por um minuto eu me esqueci que ele era poderoso em
relação a mim.
Quando
cheguei lá em cima, Josh estava vasculhando o saco junto com Lex.
-
Nossas armas não são muito diferentes das suas... Afinal, são só armas. – Lex
falou.
Josh
segurava cada uma de uma vez, testando o peso delas, escolheu uma com dois
pegadores, já que era grande, mas não muito pesada.
Lex
começou a ensiná-lo a mexer na arma, enquanto eu ia mexer no saco.
Várias
armas grandes e pesadas, que provavelmente eu não conseguiria nem mesmo
levantar, apesar da pouca força que tinha.
Então,
no fundo do saco, vi um tipo de munhequeira de pulso. Era feita de algo duro
semelhante ao plástico, mas era fria como metal.
-
Hã... Lex... O que é isso?
Ele
parou de ensinar Josh e olhou para mim. Pelo seu sorriso, acho que eu havia
acabado de escolher uma arma.
-
Isso além de uma arma, pode salvar a sua vida.
O
olhei, sem entender.
-
Aqui, deixe-me te mostrar.
Ele
colocou o objeto sobre o pulso e ao apertar um botão, um pequeno objeto oval
achatado saiu de dentro dele.
-
O que é isso? – Perguntei.
-
Observe...
Ele
apertou e o centro começou a piscar uma luz vermelha. Ele arremessou o objeto
longe, enquanto o objeto voava Lex apertou um botão na munhequeira e o disco
explodiu.
-
É um dispositivo com bombas?
-
Não só isso.
Ele
olhou bem nos meus olhos e de repente desapareceu da minha frente. Senti um
beijo na bochecha e depois alguém puxar meu cabelo.
-
Lex, pare!
Ele
reapareceu na beira do prédio.
-
Ele te deixa invisível, e também é um teletransporte. Nem todas as pessoas do
meu planeta tem o poder de se teletransportar ou quando estão muito fracas não
conseguem fazer isso.
Eu
sorri.
-
Acho que você deveria andar com uma pistola de plasma além de andar com isso.
Ele
pegou uma arma do tamanho da minha mão e me entregou.
-
Só aperte o gatilho, se tiver uma boa mira, e eu sei que você tem. – Ele falou.
Eu
senti minhas bochechas corarem. Ele pegou a munhequeira e apertou mais um
botão. Ela se transformou numa pequena pulseira prateada. Os botões eram pouco
visíveis, mas quando ele colocou em meu pulso, eu conseguia vê-los nitidamente.
-
É um disfarce, logo te ensino a manusear os botões.
Ele
voltou a ajudar Josh com a arma que estava em sua mão. Enquanto isso eu observava
que na pulseira estava gravado o meu nome completo: “Katherine Thompson”
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