Depois
de um dia inteiro aprendendo a usar armas, finalmente eu e Josh estávamos
seguros e suficientemente prontos para o plano.
Lex
tirou a pulseira dele e um holograma com um mapa em 3D da base Emperor se
materializou a nossa frente.
Ele
nos mostrou onde meu pai estava. Uma espécie de sala pra prisioneiros de
guerra.
-
Ela fica vazia a maior parte do tempo... Mas provavelmente ele estará lá. Se
não estiver lá, é só seguir o corredor de fora, e você dará na câmara, que é um
presídio para crimes de Estado, o que acho meio improvável.
Ficamos
em silêncio e como ele durou mais que o normal, eu e Josh nos entreolhamos e
voltamos a nossa atenção para Lex.
-
Lex... Qual o problema? – Falei.
-
Não dá pra entrar nessa parte por dentro da Emperor, vamos ter que soltar um de
vocês no espaço, com uma roupa apropriada pra que vocês entrem pela abertura. E
eu vou precisar entrar no sistema para poder abrir a passagem manualmente.
Eu
me ofereceria pra ir, mas sei que nenhum dos dois concordaria com isso, então
fiquei calada.
-
Eu vou. – Josh falou.
-
Então parte do plano está montada. Eu te darei um cartão de identificação... É
só você usá-lo, que terá todas as portas abertas.
-
E como poderei andar lá por dentro sem ser preso?
-
Siga o corredor, quando chegar à prisão, verá uma lavadeira gigante. Ela tem
uniformes da tropa. Pegue os cinzas, eles são para cadetes, e você é novo o
suficiente para ser um cadete.
Josh
assentiu com a cabeça.
-
Quando eu o deixar lá, vou estacionar a nave no hangar e vou fingir que Kat é
uma prisioneira. Vou até a prisão e pegarei um uniforme para ela também. Assim
que estiver uniformizada, vá para a sala de máquinas, eu vou procurar meu pai e
te encontro lá depois.
Eu
e Josh estudamos o mapa mais uma vez para gravarmos as localizações de tudo.
-
E Lex... O que faço com Aleck depois? – Josh perguntou.
-
Vão para o hangar e decolem, podem nos pegar antes da explosão na saída de
emergência da sala de máquinas.
Eu
estava começando a ficar com medo, mas mesmo assim acreditava que o plano
funcionaria.
-
Não sei se você sabe Lex, mas eu nunca pilotei uma nave. – Josh falou, irônico.
-
E é por isso que eu vou te ensinar a pilotar.
-
Puxa que sorte, nós nos conhecemos porque você bateu com a sua nave.
-
Hei, ela estava sofrendo falhas técnicas, tive que consertá-la.
-
MENINOS! – Eu gritei.
Os
dois olharam pra mim.
Eu
respirei fundo e coloquei meu cabelo pra trás, fechando os olhos.
-
Se queremos fazer um plano, precisamos que os dois colaborem.
-
Mas ele não ta ajudando! – Lex falou.
-
Ele quase morreu num acidente com a nave e quer me ensinar a pilotar.
-
VOCÊS ESTÃO PARECENDO DUAS CRIANÇAS, PODEM PARAR?!
-
Tudo isso porque você sabe que ela gosta de mim cara? – Lex falou.
-
Como é que é?
Eu
me levantei e desci as escadas até o térreo.
Lex
era a coisa mais fofa do mundo, mas ele sabia ser infantil às vezes, e Josh nem
se fala. Conhecia Josh desde que tinha 15 anos, eu sabia o quanto ele podia ser
irritante.
Fiquei
me lembrando que meu pai zoava com o nome da minha mãe, que era Connie, ela
odiava isso e eu ficava rindo.
Talvez
todo homem que se preze seja infantil eternamente, mas isso é completamente
ridículo e irritante.
Eu
contei até dez antes de subir as escadas de novo.
Cheguei
até a porta e gritei para dentro.
-
Eu posso entrar, ou as crianças ainda estão brigando?
Nenhum
dos dois respondeu. Entrei e estava um em cada ponta do terraço.
Fui
até Lex e o olhei séria.
-
Porque isso agora? – Perguntei.
-
Não temos uma ligação muito forte, e acho que você já percebeu.
-
Mas vocês estavam bem até um tempo, os dois me salvaram juntos. Porque esse
desentendimento agora?
-
Talvez Josh não saiba diferenciar os vários tipos de superiores que existem...
Não sou como eles, mas ele não quer ver isso.
Eu
olhei para Josh, que estava sentado de costas para ele, mexendo na arma que
tinha escolhido. Depois olhei para Lex, que tinha os olhos tristes.
Suspirei...
Acho que Josh não estava assim apenas pelo motivo que Lex falou, mas também por
saber que eu estava apaixonada por Lex e não por ele.
Fui
até Josh no outro lado da sala.
-
Qual é o problema?
-
O problema? O problema é que ele acabou de chegar e acha que pode mandar em
tudo. O povo dele pegou o seu pai e você ainda confia nele?
-
É claro! E é exatamente por isso que eu confio nele, ele está se voltando
contra o próprio povo pra ajudar uma garota que é considerada inimiga!
Josh
parou de falar e olhou diretamente nos meus olhos. Eu não tinha medo de Josh,
mas senti um frio percorrer minha coluna.
-
Se quiser que o plano dê certo, trate de parar com essa palhaçadinha, e vá
aprender a pilotar a nave com quem sabe.
Peguei
a minha arma.
-
Lex vamos, onde foi que você deixou sua nave?
Nenhum comentário:
Postar um comentário