terça-feira, 1 de outubro de 2013

Capítulo 20

Depois de um dia inteiro aprendendo a usar armas, finalmente eu e Josh estávamos seguros e suficientemente prontos para o plano.
Lex tirou a pulseira dele e um holograma com um mapa em 3D da base Emperor se materializou a nossa frente.
Ele nos mostrou onde meu pai estava. Uma espécie de sala pra prisioneiros de guerra.
- Ela fica vazia a maior parte do tempo... Mas provavelmente ele estará lá. Se não estiver lá, é só seguir o corredor de fora, e você dará na câmara, que é um presídio para crimes de Estado, o que acho meio improvável.
Ficamos em silêncio e como ele durou mais que o normal, eu e Josh nos entreolhamos e voltamos a nossa atenção para Lex.
- Lex... Qual o problema? – Falei.
- Não dá pra entrar nessa parte por dentro da Emperor, vamos ter que soltar um de vocês no espaço, com uma roupa apropriada pra que vocês entrem pela abertura. E eu vou precisar entrar no sistema para poder abrir a passagem manualmente.
Eu me ofereceria pra ir, mas sei que nenhum dos dois concordaria com isso, então fiquei calada.
- Eu vou. – Josh falou.
- Então parte do plano está montada. Eu te darei um cartão de identificação... É só você usá-lo, que terá todas as portas abertas.
- E como poderei andar lá por dentro sem ser preso?
- Siga o corredor, quando chegar à prisão, verá uma lavadeira gigante. Ela tem uniformes da tropa. Pegue os cinzas, eles são para cadetes, e você é novo o suficiente para ser um cadete.
Josh assentiu com a cabeça.
- Quando eu o deixar lá, vou estacionar a nave no hangar e vou fingir que Kat é uma prisioneira. Vou até a prisão e pegarei um uniforme para ela também. Assim que estiver uniformizada, vá para a sala de máquinas, eu vou procurar meu pai e te encontro lá depois.
Eu e Josh estudamos o mapa mais uma vez para gravarmos as localizações de tudo.
- E Lex... O que faço com Aleck depois? – Josh perguntou.
- Vão para o hangar e decolem, podem nos pegar antes da explosão na saída de emergência da sala de máquinas.
Eu estava começando a ficar com medo, mas mesmo assim acreditava que o plano funcionaria.
- Não sei se você sabe Lex, mas eu nunca pilotei uma nave. – Josh falou, irônico.
- E é por isso que eu vou te ensinar a pilotar.
- Puxa que sorte, nós nos conhecemos porque você bateu com a sua nave.
- Hei, ela estava sofrendo falhas técnicas, tive que consertá-la.
- MENINOS! – Eu gritei.
Os dois olharam pra mim.
Eu respirei fundo e coloquei meu cabelo pra trás, fechando os olhos.
- Se queremos fazer um plano, precisamos que os dois colaborem.
- Mas ele não ta ajudando! – Lex falou.
- Ele quase morreu num acidente com a nave e quer me ensinar a pilotar.
- VOCÊS ESTÃO PARECENDO DUAS CRIANÇAS, PODEM PARAR?!
- Tudo isso porque você sabe que ela gosta de mim cara? – Lex falou.
- Como é que é?
Eu me levantei e desci as escadas até o térreo.
Lex era a coisa mais fofa do mundo, mas ele sabia ser infantil às vezes, e Josh nem se fala. Conhecia Josh desde que tinha 15 anos, eu sabia o quanto ele podia ser irritante.
Fiquei me lembrando que meu pai zoava com o nome da minha mãe, que era Connie, ela odiava isso e eu ficava rindo.
Talvez todo homem que se preze seja infantil eternamente, mas isso é completamente ridículo e irritante.
Eu contei até dez antes de subir as escadas de novo.
Cheguei até a porta e gritei para dentro.
- Eu posso entrar, ou as crianças ainda estão brigando?
Nenhum dos dois respondeu. Entrei e estava um em cada ponta do terraço.
Fui até Lex e o olhei séria.
- Porque isso agora? – Perguntei.
- Não temos uma ligação muito forte, e acho que você já percebeu.
- Mas vocês estavam bem até um tempo, os dois me salvaram juntos. Porque esse desentendimento agora?
- Talvez Josh não saiba diferenciar os vários tipos de superiores que existem... Não sou como eles, mas ele não quer ver isso.
Eu olhei para Josh, que estava sentado de costas para ele, mexendo na arma que tinha escolhido. Depois olhei para Lex, que tinha os olhos tristes.
Suspirei... Acho que Josh não estava assim apenas pelo motivo que Lex falou, mas também por saber que eu estava apaixonada por Lex e não por ele.
Fui até Josh no outro lado da sala.
- Qual é o problema?
- O problema? O problema é que ele acabou de chegar e acha que pode mandar em tudo. O povo dele pegou o seu pai e você ainda confia nele?
- É claro! E é exatamente por isso que eu confio nele, ele está se voltando contra o próprio povo pra ajudar uma garota que é considerada inimiga!
Josh parou de falar e olhou diretamente nos meus olhos. Eu não tinha medo de Josh, mas senti um frio percorrer minha coluna.
- Se quiser que o plano dê certo, trate de parar com essa palhaçadinha, e vá aprender a pilotar a nave com quem sabe.
Peguei a minha arma.

- Lex vamos, onde foi que você deixou sua nave?

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