Eu
tive que resolver o problema deles. Lex me ensinaria a pilotar e eu ensinaria a
Josh.
Que
pena que eu subestimei a pilotagem, nunca havia feito uma coisa mais difícil em
toda a minha vida.
-
Você quer parar de tentar? – Lex me perguntou.
Assenti
com a cabeça. Meu cabelo estava bagunçado e meu corpo tremia. Eu podia até
manter a nave no ar e pilotá-la, mas decolar e pousar eram uma tortura.
-
Então avise a Josh que eu vou precisar ensiná-lo.
Andei
até a parte do campo de morangos onde Josh permanecia sentado.
-
E aí Kat?! – Josh falou, ainda mexendo na arma que escolhera.
-
Não posso... Não sei como te ensinar.
-
O que? E eu vou ter que aprender com ele?
Lex
vinha pisando duro no chão. Ele parou em frente a Josh, encostando seu peitoral
ao dele.
-
Vai ficar enchendo a cabeça dela? – Lex falou.
-
Sou melhor amigo dela, posso fazer o que eu quiser.
-
Acho que está enganado, Josh. Acho que devia fazer o que ela manda, afinal, o
pai é dela.
-
Ninguém manda em mim, independente das circunstâncias. E eu não tenho medo de
você.
Josh
deu um empurrão em Lex e saiu andando. Lex revirou os olhos.
-
Josh... Você não fez isso... – Lex falou.
Ele
parou de andar e se voltou novamente para Lex.
-
Fiz sim. – Ele falou, voltando na direção de Lex. – E faço de novo.
Quando
Josh foi dar outro empurrão em Lex, ele pegou sua mão e a torceu para trás. E
acho que eu não estava perto o suficiente para ter ouvido os ossos de Josh se
esmigalhando.
O
grito de Josh me gelou a espinha, eu era capaz de chorar só por ter ouvido o
grito de dor que ele dera.
Corri
até ele, que estava deitado no chão segurando o pulso da mão ferida.
-
PORQUE FEZ ISSO?! – Gritei para Lex.
O
peito de Lex subia e descia, os olhos estavam cheios de lágrimas. Ele se
abaixou ao lado de Josh.
-
FICA LONGE DE MIM! – Josh gritou.
-
Se eu não curar sua mão, você vai precisar amputá-la.
Com
relutância, Josh estendeu o braço para Lex. E, assim como quando Lex curou meus
cortes nas costas, Josh soltou um grito tão alto, que eu fiquei com medo que os
superiores acabassem nos achando.
Em
alguns minutos, a mão de Josh estava curada.
Ele
se levantou e saiu andando pra longe de Lex.
Lex
baixou a cabeça e a enterrou nas mãos. Fui até ele e vi que estava chorando.
-
Eu não queria, eu juro que não queria. Eu odeio ser um superior. Eu odeio ter
poderes.
Ele
estava com o rosto vermelho. Me abaixei ao seu lado e lhe dei um beijo demorado
na bochecha.
-
Sei que não queria.
Eu
andei devagar até Josh.
-
Permissão para me aproximar. – Falei, parando um pouco atrás dele.
Ele
se virou sorrindo pra mim.
-
Concedida.
Eu
me sentei ao seu lado.
-
Acho que vocês só estão complicando as coisas...
-
Como assim? Ele quebrou minha mão!
-
Não coloque a culpa toda em cima dele. Lex não machucaria uma mosca, mas suas
provocações estão até me deixando
com raiva.
As
bochechas de Josh coraram e ele baixou a cabeça.
-
Sei que está sendo difícil, porque você foi banido, seus pais meio que te
odeiam, mas está sendo difícil para Lex também, o pai dele o amava e só porque
ele está tentando nos ajudar, ele foi deserdado.
-
E eu sei que está sendo difícil pra você... Porque você não tem pais. – Ele
falou.
Ele
levantou a cabeça e me olhou com um sorriso triste.
-
Me desculpe Kat.
-
Não é a mim que tem que pedir desculpas... E outra coisa, deixe esse orgulho de
lado, pelo menos até salvarmos Aleck.
Ele
assentiu e eu dei um beijo demorado em sua testa, seguido de um abraço
igualmente demorado. Eu esperava que ele ficasse feliz pelo menos com aquele
abraço, sei que não era como ele queria, mas era um começo.
Ele
andou até Lex e estendeu a mão para ele, que ainda continuava sentado no chão,
com o rosto úmido.
Eles
trocaram algumas palavras, que consegui definir como “me desculpe” e “não foi
minha intenção”.
Depois
os dois se abraçaram.
Ao
longe eu sorria. Josh passou um braço sobre o ombro de Lex e, juntos, caminharam
até a nave.
[...]
Depois
de passar a tarde treinando Josh, já podia considerar meu amigo um superior,
além de conseguir pilotar uma nave perfeitamente, ele sabia pousar a decolar
até melhor que Lex.
Josh
saiu da nave e veio todo feliz até mim.
-
Então... Valeu à pena? – Perguntei, sorrindo.
Ele
sorriu. O sol do fim da tarde fazia com que seus olhos azuis ficassem mais
claros.
-
É... Até que você não está tão errada quanto a ele.
Josh
olhou para trás, onde Lex estava deixando a nave.
Josh
me deu um abraço e foi caminhando em direção ao prédio.
Cruzei
os braços pra trás do corpo e fiquei vendo Lex vindo em minha direção. O vento
fazia com que meu cabelo voasse no rosto, mas eu não o ajeitei. O cabelo de Lex
também estava bagunçado.
Ele
parou de frente pra mim.
-
Acha mesmo que vai dar certo? – Ele perguntou.
-
Porque não pode acreditar um pouquinho mais em você? – Falei.
Fiquei
na ponta dos pés e beijei a ponta de seu nariz. Ele sorriu.
Entrelacei
seus dedos nos meus e fomos andando em direção ao prédio.
Começaríamos
a arrumar as coisas imediatamente e embarcaríamos na nave no dia seguinte.
Nenhum comentário:
Postar um comentário