terça-feira, 1 de outubro de 2013

Capítulo 21

Eu tive que resolver o problema deles. Lex me ensinaria a pilotar e eu ensinaria a Josh.
Que pena que eu subestimei a pilotagem, nunca havia feito uma coisa mais difícil em toda a minha vida.
- Você quer parar de tentar? – Lex me perguntou.
Assenti com a cabeça. Meu cabelo estava bagunçado e meu corpo tremia. Eu podia até manter a nave no ar e pilotá-la, mas decolar e pousar eram uma tortura.
- Então avise a Josh que eu vou precisar ensiná-lo.
Andei até a parte do campo de morangos onde Josh permanecia sentado.
- E aí Kat?! – Josh falou, ainda mexendo na arma que escolhera.
- Não posso... Não sei como te ensinar.
- O que? E eu vou ter que aprender com ele?
Lex vinha pisando duro no chão. Ele parou em frente a Josh, encostando seu peitoral ao dele.
- Vai ficar enchendo a cabeça dela? – Lex falou.
- Sou melhor amigo dela, posso fazer o que eu quiser.
- Acho que está enganado, Josh. Acho que devia fazer o que ela manda, afinal, o pai é dela.
- Ninguém manda em mim, independente das circunstâncias. E eu não tenho medo de você.
Josh deu um empurrão em Lex e saiu andando. Lex revirou os olhos.
- Josh... Você não fez isso... – Lex falou.
Ele parou de andar e se voltou novamente para Lex.
- Fiz sim. – Ele falou, voltando na direção de Lex. – E faço de novo.
Quando Josh foi dar outro empurrão em Lex, ele pegou sua mão e a torceu para trás. E acho que eu não estava perto o suficiente para ter ouvido os ossos de Josh se esmigalhando.
O grito de Josh me gelou a espinha, eu era capaz de chorar só por ter ouvido o grito de dor que ele dera.
Corri até ele, que estava deitado no chão segurando o pulso da mão ferida.
- PORQUE FEZ ISSO?! – Gritei para Lex.
O peito de Lex subia e descia, os olhos estavam cheios de lágrimas. Ele se abaixou ao lado de Josh.
- FICA LONGE DE MIM! – Josh gritou.
- Se eu não curar sua mão, você vai precisar amputá-la.
Com relutância, Josh estendeu o braço para Lex. E, assim como quando Lex curou meus cortes nas costas, Josh soltou um grito tão alto, que eu fiquei com medo que os superiores acabassem nos achando.
Em alguns minutos, a mão de Josh estava curada.
Ele se levantou e saiu andando pra longe de Lex.
Lex baixou a cabeça e a enterrou nas mãos. Fui até ele e vi que estava chorando.
- Eu não queria, eu juro que não queria. Eu odeio ser um superior. Eu odeio ter poderes.
Ele estava com o rosto vermelho. Me abaixei ao seu lado e lhe dei um beijo demorado na bochecha.
- Sei que não queria.
Eu andei devagar até Josh.
- Permissão para me aproximar. – Falei, parando um pouco atrás dele.
Ele se virou sorrindo pra mim.
- Concedida.
Eu me sentei ao seu lado.
- Acho que vocês só estão complicando as coisas...
- Como assim? Ele quebrou minha mão!
- Não coloque a culpa toda em cima dele. Lex não machucaria uma mosca, mas suas provocações estão até me deixando com raiva.
As bochechas de Josh coraram e ele baixou a cabeça.
- Sei que está sendo difícil, porque você foi banido, seus pais meio que te odeiam, mas está sendo difícil para Lex também, o pai dele o amava e só porque ele está tentando nos ajudar, ele foi deserdado.
- E eu sei que está sendo difícil pra você... Porque você não tem pais. – Ele falou.
Ele levantou a cabeça e me olhou com um sorriso triste.
- Me desculpe Kat.
- Não é a mim que tem que pedir desculpas... E outra coisa, deixe esse orgulho de lado, pelo menos até salvarmos Aleck.
Ele assentiu e eu dei um beijo demorado em sua testa, seguido de um abraço igualmente demorado. Eu esperava que ele ficasse feliz pelo menos com aquele abraço, sei que não era como ele queria, mas era um começo.
Ele andou até Lex e estendeu a mão para ele, que ainda continuava sentado no chão, com o rosto úmido.
Eles trocaram algumas palavras, que consegui definir como “me desculpe” e “não foi minha intenção”.
Depois os dois se abraçaram.
Ao longe eu sorria. Josh passou um braço sobre o ombro de Lex e, juntos, caminharam até a nave.

[...]

Depois de passar a tarde treinando Josh, já podia considerar meu amigo um superior, além de conseguir pilotar uma nave perfeitamente, ele sabia pousar a decolar até melhor que Lex.
Josh saiu da nave e veio todo feliz até mim.
- Então... Valeu à pena? – Perguntei, sorrindo.
Ele sorriu. O sol do fim da tarde fazia com que seus olhos azuis ficassem mais claros.
- É... Até que você não está tão errada quanto a ele.
Josh olhou para trás, onde Lex estava deixando a nave.
Josh me deu um abraço e foi caminhando em direção ao prédio.
Cruzei os braços pra trás do corpo e fiquei vendo Lex vindo em minha direção. O vento fazia com que meu cabelo voasse no rosto, mas eu não o ajeitei. O cabelo de Lex também estava bagunçado.
Ele parou de frente pra mim.
- Acha mesmo que vai dar certo? – Ele perguntou.
- Porque não pode acreditar um pouquinho mais em você? – Falei.
Fiquei na ponta dos pés e beijei a ponta de seu nariz. Ele sorriu.
Entrelacei seus dedos nos meus e fomos andando em direção ao prédio.

Começaríamos a arrumar as coisas imediatamente e embarcaríamos na nave no dia seguinte.

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