quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Capítulo 22

O silêncio no prédio aquela noite era praticamente terminal. Decidimos dormir nas salas e não no terraço, para o caso de alguma ronda noturna dos superiores.
Eu não fazia ideia se Josh e Lex estavam dormindo, mas sei que eu não conseguia dormir de jeito nenhum. Não sei se por medo de ter pesadelos ou por estar sem sono.
Virei de barriga para cima e fechei os olhos, tentando me concentrar na escuridão para tentar dormir.
Depois de um tempo ouvi um barulho vindo da sala ao lado.
Abri os olhos e me sentei rapidamente. O barulho se repetiu mais uma vez.
Decidi me levantar para ver, por mais que eu estivesse com medo, eu era curiosa demais.
Abri a porta e lá estava Lex.
- Lex? – Falei.
- Ah, oi Kat. Desculpe se te acordei.
- Não estava dormindo. – Falei tão baixo que acho que ele não ouviu. – O que está fazendo?
- Eu estava... Ahn... Vendo as coisas que trouxe da nave.
Olhei suas mãos atrás do corpo e pude ver que ele segurava a foto do pai. Olhei em seus olhos e sorri.
- Tem certeza que quer fazer isso? – Perguntei.
- Isso o que?
- Explodir a Emperor... Com seu pai dentro...
- O que eles fizeram é errado.
- Lembre-se que nem todos que estão lá dentro fizeram isso.
Ele se sentou no chão, ficando de costas pra mim.
Andei até lá e me sentei de frente pra ele.
- Não temos crianças lá, todos os recém-nascidos são enviados para o planeta automaticamente.
- Mas tem pessoas como você. – Falei.
- O que podemos fazer?
- Explodimos a Emperor... Mas evacuamos primeiro.
Ele ergueu os olhos. Parecia não acreditar que eu tinha acabado de dizer aquilo e para minha surpresa, nem eu mesma acreditava que eu estava sendo tão boa assim. Me assustei com o pensamento de que há algumas semanas eu teria pensado em matar qualquer tipo de vida superior, mesmo que eles estivessem pedindo misericórdia.
- Quer mesmo salvar a minha espécie... Mesmo eles tendo feito o que eles fizeram?
Assenti com a cabeça.
- Sei que você está me apoiando, mas sei que se arrependeria depois. Eles são sua família, e eu sei como é ter a família destruída.
Ele largou a foto e segurou minhas mãos.
Levantei minha cabeça e fui devagar até ele. Eu já estava apoiada nos joelhos quando consegui alcançar seus lábios.
Seu beijo era quente e suave, sua boca era macia.
Me afastei rapidamente e voltei a ficar sentada no chão.
- Me desculpe. – Falei.
- Pelo quê? – Ele ainda tinha os olhos semicerrados.
- Eu não devia...
- Fique quieta. – Ele falou se aproximando de mim.
Ele me puxou para si e voltou a me beijar.
Pela primeira vez eu me sentia realmente amando alguém. Era diferente de qualquer sensação que eu já tivesse sentido antes.
Nosso beijo parou. Estávamos um olhando para o outro, respirando profundamente.
Ele se levantou e me estendeu a mão, me ajudando a levantar.
Lex me levou até o meu quarto.
- Volte a tentar dormir, precisamos estar dispostos amanhã. – Ele falou.
- Mas... Eu não quero que você vá. – Falei.
Ele me olhou nos olhos.
- Se nosso plano der certo... Terei que voltar para o meu planeta para ser julgado. Não quero que minha ida lhe cause dor.
- Já vai causar. Não me imagino mais sem você do meu lado.
Ele me abraçou.
- Não se permita sentir, por favor. – Ele falou.
- Então fica do meu lado. Só até eu dormir.
Ele concordou.
Me deitei na cama e ele se deitou ao meu lado.
Seus dedos se enrolavam em meus cabelos e seus olhos verdes brilhavam com brilho da lua que entrava pela janela da sala.
Eu queria beijá-lo mais, queria abraçá-lo mais, queria ter o corpo dele no meu pra sempre, mas eu sabia que isso não seria mais possível se ele se fosse pra sempre.
- Eu não quero que nada mude. Os humanos têm medo da mudança, eles se escondem em subterrâneos, não tentam mais viver na superfície. Eu quero que você fique.
- E seu pai?
- Resgatamos meu pai e voltamos, nada além.
- Mas eles me querem.
- Você quer mesmo me deixar?
- Quero que fique segura.
Eu cheguei mais perto dele e me aninhei em seu peito. Ele me puxou pra cima e me beijou.
O beijo começou lento e foi aumentando de intensidade, até que não estávamos quase respirando.
Sua mão acariciava minhas costas por dentro da camisa e minhas unhas arranhavam suas costas.
Nos sentamos para recuperar o ar. Nós nos olhamos, os dois com o cabelo bagunçado e respirações ofegantes. Começamos a rir.
- Acho que temos que parar com isso. – Falei, no meio de uma gargalhada baixa.
- Eu não... Acho que esse pode ser o começo. – Ele falou rindo.
Ele se pôs em cima de mim e voltou a me beijar intensamente.
Minhas mãos começaram a subir sua camisa e as mãos dele acariciavam minhas coxas.
Ele colocou a mão em minha cintura e desceu para o botão de minha calça, tentando desabotoá-la. O ajudei com o botão e me sentei em frente a ele.
Ele pousou a mão em minha coxa, enquanto eu arranhava sua nuca de leve. Ficamos ali, apenas nos beijando e trocando carinhos.
Sei que queríamos mais, tanto ele quanto eu, mas respeitamos o momento um do outro.
Pensei no meu sonho, com os galhos das minhas costas florescendo.
Quando finalmente paramos de nos beijar, nos deitamos na cama. As respirações eram ofegantes e barulhentas, um frio me percorreu a espinha, com o pensamento de que Josh podia acordar, mas logo o esqueci.
- Então... Você ainda quer dormir? – Perguntei.
- Quero... Mas não no meu quarto. – Ele falou.
Então ele fez com que eu virasse, ficando de costas para ele, me abraçou pela cintura e ficamos ali deitados.

Alguns minutos depois, eu só lembro de estar dormindo com um sorriso no rosto.

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