Acordei
no dia seguinte com os raios de sol irritando meus olhos.
Olhei
para o lado e Lex ainda dormia. Os cílios tremiam, devia estar sonhando.
Dei
um beijo demorado em sua bochecha e peguei minha calça e a vesti.
Fui
até o terraço preparar o café da manhã. Josh já estava lá.
-
Bom dia Kat. Dormiu bem?
Fiquei
meio tensa. Não sei por que achava que dormir com Lex era uma coisa tão errada
para se conversar com Josh, talvez porque Josh fosse apaixonado por mim.
-
Na medida do possível. – Falei, tentando parecer com o meu normal o máximo
possível.
-
Viu Lex?
Balancei
a cabeça, negativamente.
-
Deve estar dormindo. – Falei.
Coloquei
creme de avelã no meu pão e sentei no chão, ao lado de Josh.
-
Pode me falar Kat, sei que está escondendo de mim.
-
Do que você está falando?
-
Você está com medo... Estão com medo desse resgate não dar certo.
Não
tinha percebido que tinha prendido o ar até soltá-lo e relaxar os ombros.
-
É... Bem, não é medo. Sei que você vai conseguir salvar meu pai... Só não sei
se eu vou voltar viva disso.
Ele
parou de comer e olhou para mim.
Voltei
meus olhos pra ele. Não o conseguia ver direito, porque meus olhos estavam
marejados.
-
Do que está falando? Claro que você vai voltar.
-
Eu não sei ao certo Josh... Se eu fizer o que quero fazer... Minhas chances de voltar
viva são mínimas.
- O que quer fazer?
Pensei
em contar a ele, mas assim como eu era, Josh é cego. Ele nunca veria os
superiores como eu vejo agora.
Josh
ainda os vê como ameaça, todos eles.
Eu
vejo que alguns dentro da Emperor são como Lex, só seguem ordens de oficiais
superiores a eles.
-
Não é nada... Só um plano bobo.
Levantei
e dei um beijo no topo da cabeça de Josh.
Desci
para arrumar minhas coisas.
Coloquei
a pulseira onde tinha meu nome gravado e uma pistola na cintura de minha calça.
Em
uma mochila velha, coloquei algumas coisas de comer, uma muda de roupas e meu
arco e flecha. Mesmo equipada com a minha pulseira “super poderosa”, não queria
arriscar.
Fui
até meu quarto. Lex estava de pé.
-
Ah, oi. – Ele falou, se virando para mim e abrindo um sorriso largo.
Não
pude deixar de sorrir, e olhei para o chão, porque ainda ficava constrangida ao
vê-lo sem camisa.
-
Você por acaso... Ahn... Viu minha camisa? – Ele falou, enquanto mexia nos
cabelos, constrangido.
- No
parapeito da janela. – Falei, apontando.
-
Ah, obrigado.
Ele
se virou de costas e perdi o fôlego mais uma vez, mordi o lábio, lembrando a
mim mesma que eu havia dormido com ele e não tinha porque ficar daquele jeito.
Andei
até ele e parei em sua frente.
-
Olha... Acho que não devíamos ficar com vergonha um do outro. – Falei.
-
É... Estou sendo idiota. – Ele falou e puxou meu rosto, me dando um beijo. –
Está pronta? – Ele me perguntou.
Assenti
com a cabeça.
-
Então vá descendo com Josh, já estou indo.
Fui
até o quarto de Josh chamá-lo e ele estava sentado em sua cama, com uma foto
nas mãos. Ele e os pais, Sophie ainda era pequena demais.
Ele
não notou minha presença na porta e deixou uma lágrima escorrer.
Bati
na porta, para que ele não se assustasse.
-
Você está bem? – Falei, lançando-lhe um sorriso triste.
-
Só estou preocupado.
-
Não devia ter deixado o buraco. Devia ter ficado, sua família...
-
E te deixar sozinha? Nunca!
Me
sentei ao seu lado.
-
Eu não estaria sozinha Josh.
Ele
me olhou e deu um suspiro.
-
A verdade é que não confio plenamente em Lex... Eu não te deixaria sozinha com
ele. Não posso te deixar.
Fiquei
um pouco mal por estar escondendo os últimos acontecimentos dele, eu nunca
tinha escondido nada de Josh.
Se
fosse pra eu contar, o mundo já estaria salvo, assim ele não ficaria tão mal.
-
Vamos, temos que descer. – Falei.
Ele
se levantou e saiu do quarto sem olhar pra mim.
Algo
me dizia que ele já sabia de alguma coisa.
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