Notas do Capítulo: Dedicando esse capítulo pra minha amiga Mari. Que acompanha a fic desde o começo e que lia os capítulo quando ainda estavam sendo escritos em uma folha de caderno na sala de aula. Agradeçam a ela, porque ela me proibiu de matar o Aleck rs.Obrigada Mari linda!Boa leitura. xx
*POV Aleck*
Eu havia sido levado para
a base deles, era aquilo que governava a Terra abaixo deles.
Tinha que arranjar um
jeito de voltar, antes que Kat, Josh e Lex arranjassem um jeito de virem atrás
de mim.
Prometi a mim mesmo que me
manteria calado até que fosse solicitado, mas ficaria de olho aberto, prestando
atenção a cada detalhe.
Tinham apenas dois guardas
na nave que me transportava, e ela parecia própria para transportar
prisioneiros, já que eu estava em um tipo de cela.
- Ele não está falando. –
Disse um deles.
- Melhor assim... Ele deve
estar apenas com medo. – O segundo falou.
- E se ele não souber
falar?
- O problema não é nosso
Denis.
Denis? Era possível que
eles tivessem nomes tão humanos?
Então me lembrei de uma
velha história que pessoas dentro do buraco contavam para as crianças.
Em um dia do ano, uma nave
dos superiores passava sobre o planeta para recolher humanos para que eles
virassem comida para eles, e todos que tivessem sangue humano e estivessem na
superfície durante esse dia, seriam levados e nunca mais voltariam.
Era uma história
completamente exagerada, usada apenas para que as crianças não ficassem com
vontade de sair e explorar o mundo do lado de fora, e foi exatamente por isso
que eu não a contei a Kat.
A história também era
usada para que diminuísse o número de desgarrados, pessoas que escolhiam viver
com os superiores a se colocar no mesmo lugar em que toda a sua espécie fora
designada.
A nave estava
desacelerando. Me estiquei para ver onde iríamos pousar.
A base era enorme.
Praticamente uma cidade. Era subdividida em níveis. A maioria das paredes era
feita de vidro, dando para ver os seres que circulavam pelos corredores e nem
todos tinham aparência humanoide.
Ao fundo, dava para se ver
o topo do planeta, que parecia mais azul que nunca fora em fotos da NASA no
período em que o mundo era dos humanos e não dos superiores.
Fizemos uma descida brusca
e eles pararam diante de um enorme portão, onde tinha símbolos gravados, que
interpretei como letras ou números.
Assim que pousamos, me
senti pequeno. Tudo na base era três vezes maior do que tudo fora um dia na
Terra. Era como se gigantes morassem na base, o que eu não imaginava
impossível.
Denis e o outro guarda me
pegaram pelo braço, um de cada lado.
- Vocês poderiam me dar
licença... Gostaria de ir sozinho, não precisam me segurar, não vou lutar
contra nenhuma força de vocês, apenas me guiem.
Denis olhou para o guarda.
- Afirmativo, se tentar
qualquer tipo de fuga, será automaticamente abatido.
Assenti com a cabeça.
- Denis, vá à frente.
Denis foi a minha frente,
me guiando pelo interior da base enquanto o outro guarda ia com a ponta da arma
em minhas costas.
- Devemos levá-lo ao
comandante?
- Afirmativo Denis. Se ele
ainda for útil, ele ficará preso, se não for, só o Comandante sabe o que fará
com ele.
Os dois não falaram mais
nada no caminho até a sala do comandante.
Paramos em frente a uma
sala com uma enorme porta branca, onde havia duas insígnias, uma em cada porta,
talvez símbolos do governo do planeta deles.
- O senhor será
interrogado pelo Comandante Alarik, pedimos que não tente nenhum ato de
violência ou tentativa de fuga, lembrando que está em uma base espacial, e
humanos não respiram onde não há oxigênio.
Ele soltou as algemas de
metal que cobriam meus pulsos e mãos e me direcionou para dentro da sala, a princípio
vazia. A porta se fechou atrás de mim, e me vi sozinho em uma sala enorme. A
vista da enorme janela estava voltada para o continente africano.
- Então é você que está
mantendo meu filho... Ou devo dizer só seu nome.
- Perdão. – Falei.
A cadeira da mesa a minha
frente girou, um homem alto e forte, com um porte poderoso estava sentado nela.
Olhos profundamente azuis exalavam maldade e crueldade, eu podia sentir todas
as coisas horríveis que ele tinha feito. O cabelo era penteado impecavelmente
para trás.
- Sente-se. – Ele ofereceu
a cadeira à frente de sua mesa.
Andei até ela, ainda meio
desconfiado, mas me sentei mesmo assim.
- Vejo que é bem
civilizado para um humano. – Ele falou, abrindo um sorriso maldoso.
- A maioria de nós procura
ser assim, Comandante.
- Por favor, me chame de
Alarik. – Ele fez uma pausa. – Então é você que está mantendo meu filho em seu
planeta?
Eu não fazia ideia do que
ele estava falando.
- Me perdoe, Comandante...
Eu não sabia sequer da sua existência, como poderia saber de seu filho.
- Ele está lá há alguns
meses, mas talvez o bastardo nunca tenha tocado em meu nome.
Fiquei parado, tempo
suficiente para descobrir que ele falava de Lex. Forcei minha mente a fingir
que não o conhecia, para a probabilidade de ele poder ler minha mente.
- Me desculpe, não conheço
nenhum superior.
- Seu nome é Lex... E ele
era meu filho. No momento, é um deserdado, um impostor, traiu a mim e a sua
espécie no momento em que quis ficar em seu planeta.
- Queira me perdoar
comandante, mas só estava fora de minha casa para pegar algumas ervas. Sou um
botânico, ainda faço experimentos.
Ele me estudou. Esperava
que não estivesse tendo nenhum espasmo que denunciasse que estava mentindo. Ele
fez aparecer um holograma em sua mesa.
- Oficial, queira me
trazer o vídeo relatório da última nave Caça L, por favor.
Um “afirmativo” foi
ouvido. Enquanto esperava, Alarik me estudava, o que me dava certo desconforto.
Eu estava tentando ao máximo não demonstrar que estava mentindo que conhecia
Lex. Preferia que eu fosse ferido a qualquer um dos meninos.
Um oficial entrou na sala,
trazendo um arquivo numa espécie de micro cubo.
- Aqui está a memória do
Caça L, comandante.
- Obrigado, oficial. – O
oficial se dirigiu apressado à porta. – Vejamos o quanto sabe senhor Aleck.
Ele colocou o micro cubo
sobre sua mesa e o micro cubo se expandiu em uma tela do tamanho da mesa do
Comandante.
Na tela, eu e Josh, e tudo
o que eu dizia, dava para ser ouvido nitidamente.
“Corra Josh, corra.”
“Eu não vou voltar sem você!”
“Você precisa avisar a eles.”
“Se eu chegar naquele prédio sem você é provável que eu
morra.”
“Você não tem escolha garoto... Talvez eles saibam o que
fazer. Me deixe aqui, corra o máximo que puder.”
Ele travou o vídeo e olhou
diretamente para mim.
- Quem seria esse jovem que
você chama de Josh?
- Um amigo... O conheço
desde que era uma criança. – Verdade.
- Excelente. E você fala
sobre avisar a “eles”, quem seriam
“eles”?
- Meus filhos.
- E quais seriam seus
nomes?
Eu precisava pensar em um
nome, e rápido. Sabia que se demorasse mais de três segundos, Alarik saberia
que eu estava escondendo algo dele.
- Kat e Matthew.
Matthew morrera há doze
anos e ainda salvava minha vida.
- Quantos anos eles têm?
- São gêmeos, têm vinte
anos.
Alarik não parecia
satisfeito com minhas respostas instantâneas.
- Eu posso fazer um teste
com o senhor?
Afirmei com a cabeça.
Ele esticou a mão e pensei
que ela ia tocar em minha testa, mas ela continuou até eu poder senti-la
tocando a parte de trás de meu cérebro.
- Não vai doer muito. –
Ele falou.
Minha visão apagou. Então
comecei a ver cenas de minha vida.
Matthew e Connie me
salvando no meio da Guerra do Afeganistão e me levando para os Estados Unidos.
Eles ainda nem eram casados quando isso aconteceu.
Meu primeiro dia de aula.
Minhas notas medianas, Matthew me incentivando.
A visão pulou para dez
anos depois.
Um bebê. Katheryn
Thompson, minha pequena Kat.
Eu havia sido adotado, mas
continuava mantendo contato com eles.
“Um dia você vai ser protetor dessa garotinha, Aleck.”, Matthew
disse e sorriu.
“PARE!” eu queria gritar.
Alarik estava fazendo uma bagunça em minha mente... Estava revivando memórias
que eu havia demorado tempo demais para esquecer.
A imagem a seguir mostrava
Kat aos dois anos. Connie havia chegado a casa e eu, com meus doze anos, brincava
com a pequena Kat.
“Amor, fizemos uma descoberta incrível!”, Connie dissera.
“O que houve?”
“Um sinal Matt, interceptamos um sinal!”, Connie ficara animada ao saber que eles tinham
interceptado um sinal alienígena, mas isso significaria o fim deles e da linda
família que eles poderiam ter sido.
“E vocês o decifraram?”
“Precisamos da ajuda de um historiador... E bem, precisamos
de você.” Ela falou, orgulhosa e ele
devolveu o sorriso.
A imagem seguinte mostrava
Connie e Matt.
“Connie, eu posso estar errado.”
“Não, Matt. Era isso mesmo... É uma invasão... Só não temos
ideia de quanto tempo temos, podemos ter anos, meses, dias, horas... Não
sabemos.”
Tivemos anos, exatamente
seis anos.
Chegamos à parte da minha
vida que eu mais detestava. Meus dezoito anos.
“Connie, Matt, precisamos nos esconder!” – Eu gritei, estava mais
assustado que nunca.
“Vou pegar Kat, tem um buraco logo ali atrás!” Connie falou, a calma
em sua voz chegava a ser irritante.
Eles pegaram Kat e a
colocaram dentro da pequena entrada na pedra.
“Fique em silêncio filha, logo o tio Aleck virá cuidar de
você.”
“Mas papai, onde você está indo?”
“Vou ajudar mais pessoas, já voltamos.”
“Mamãe, fica aqui comigo.”
“Vou ajudar o papai filha, nós já voltamos.”
Foi a hora mais longa de
minha vida. Eu ajudei Matthew e Connie a resgatarem o máximo de pessoas
possível.
Passávamos por corpos
esquartejados, pessoas apenas mortas, sem nenhuma lesão a mostra. Pessoas
chorando, crianças perdidas, mas não podíamos ajudar todas.
“Hei, qual o seu nome?”
“Joshua, Joshua Campbell” Ele respondeu a Connie, prendendo o choro o máximo que
podia.
“Olá Joshua, onde estão seus pais?”
“Foram pegar a bolsa da minha irmã”
“Aleck, fique com ele, até os pais dele chegarem, já volto
pra irmos buscar a Kat.”
Eu não tinha mais o que
fazer, então me sentei mudo e trêmulo ao lado de Josh, eu não lembrava que o
havia conhecido quando era pequeno.
“Não fique com medo... Meus pais disseram que isso vai passar, é só
questão de tempo.” Ele não sabia o que estava dizendo, era apenas uma
criança, no mundo dele, aquele ataque era como uma chuva, mas eu lembrava o
ataque que Matthew previra anos antes.
Os pais de Josh logo
chegaram e o pai dele o pegou nos braços.
Corri e gritei Connie e
Matthew.
“Vamos Connie, só mais um pouco!”
“Matthew, me deixe aqui, vá pegar Kat e a deixar a salvo!
Ande!”
As pernas de Connie
estavam cortadas pela metade. Lembro-me de ter virado a cabeça para o lado e
vomitado apenas bile, porque estava de estômago vazio.
“Não vou aguentar muito tempo Matt... Eu te amo, sempre vou te amar...
Cuide da Kat por mim.” Connie havia feito peso pra baixo e caíra sobre as
pernas decepadas.
O grito de dor de Connie
partiu meu coração em quantos pedaços é possível pela matemática.
Lembro-me de sentir meu
coração parar de bater. Era como se todos os sons tivessem sido interrompidos e
só desse para ouvir o grito de Connie.
Matthew gritava o nome
dela diversas vezes até ter certeza de que sua esposa estava morta.
Olhei para uma mancha
escura, vindo mais atrás. Eu podia ver braços e pernas serem lançados pra cima,
uma chuva de sangue espirrava pra cima quando um exército superior vinha
destruindo tudo pelo caminho, à frente, agora eu reconhecia Alarik.
“Matthew, anda precisamos correr!”
Matthew me segurou nos
braços, acho que nunca havia chorando tanto em minha vida.
“Me prometa Aleck, prometa que você cuidará de Kat como se
fosse sua filha.”
“Matthew, não...”
“Aleck, me prometa!”
Balancei a cabeça, não
conseguia mais falar.
“Ótimo... Vou ficar aqui... Connie precisa de mim.” Ele falou, me lançando um sorriso triste. “Nunca omita nada de Kat, deixe a seguir os
próprios passos, nunca a reprima, sempre a incentive. Isso faz parte da
promessa.”
O exército de Alarik vinha
chegando mais e mais perto.
“Vá garoto... Salve quem puder, salve Kat... Seja o ótimo pai que eu não
poderei ser pra ela.”
Matthew me empurrou e eu
cambaleei um pouco antes de cair em cima de um corpo.
Me levantei e corri um
pouco. Eu não devia ter olhado para trás para ter evitado essa memória.
Eu vi Matthew, meu pai,
meu primeiro pai, ser esquartejado. Os braços foram cortados e jogados em um
lado, a cabeça e as pernas não vi onde foram parar.
Corri o mais rápido
possível para onde Kat estava.
Cheguei ao buraco e lá
estava ela, abraçada aos joelhos, com a cara emburrada, por não terem levado
ela para a “aventura”.
“Onde estão papai e mamãe, tio Aleck?”
Senti o coração pesar no
peito, como ia dizer a ela que eles estavam mortos? Ela só tinha oito anos,
ainda era pequena pra saber que os pais foram mortos do jeito que foram.
“Desculpe Matthew, terei que mentir pra ela.” Pensei, sabendo que
estava quebrando a primeira regra.
“Desculpa Kat... Eles não vão voltar.”
A segurei no colo e a
levei para um lugar seguro e longe dali, um prédio, todo com janelas de vidro.
O prédio em que ela e Josh viviam agora.
Fomos para o terraço. Ela
dormia em meus braços. A coloquei deitada no chão e de cima do prédio pude ver
o extermínio, ainda via pessoas correndo e conseguindo se proteger.
Depois que os superiores
haviam ido embora, eu não ouvia mais nada. Não haviam choros, não haviam
alarmes de carros, não haviam latidos de cachorros, não havia nada, além do
barulho do vento balançando as árvores.
Eu ainda estava chorando e
até meu próprio choro era silencioso.
Olhei para minha camisa,
suja de sangue. Eu estava completamente sujo. Olhei para Kat, ela estava
completamente suja também, por ter ficado em meu colo.
- Me desculpe Kat. –
Falei, em meio a um soluço e outro.
Olhei para o céu, que
estava azul demais para um dia tão horrível.
- Eu prometo, prometo ser
o protetor que você disse há muito tempo. Prometo cuidar dela como a minha
vida. Prometo ser o pai que você não vai poder ser. Prometo... Prometo não
omitir nada dela, mesmo tendo que esperar ela ter certa idade para saber a
verdade... Eu prometo. Pela Connie. Por você Matthew. Eu prometo, pelos meus
primeiros pais de verdade.
Eu desabei de joelhos.
As imagens começaram a
acelerar. Noites em claro, com Kat chorando, pedindo que eu fosse procurar os
pais. Algumas semanas depois, a mãe de Josh organizara um lugar onde ficaríamos
seguros, nossa mudança para o buraco, Kat e Josh virando amigos, a primeira
saída do buraco, o dia em que ela voltou feliz por ter aprendido a caçar.
Os anos passaram rápido
até o dia em que ela trouxe roupas a mais para lavar, e elas não eram de Josh.
Os pesadelos e ela chamava apenas um nome: “Lex”.
O dia em que iam me
humilhar em praça pública e ela foi chicoteada em meu lugar.
Eu tratando de seus
cortes. Josh me contando tudo sobre Lex e sobre o plano de Kat de salvar o
mundo com a ajuda dele, mas que ela disse que o plano era um fracasso.
A cadeira elétrica, o black-out,
Lex. Eu indo colher ervas, a nave, e tudo voltou a ficar escuro.
As memórias haviam sido
tão dolorosas pra mim que eu sabia que aquela escuridão era um desmaio.
Eu seria sortudo demais se
estivesse morto.
Nenhum comentário:
Postar um comentário