domingo, 6 de outubro de 2013

Capítulo 25

Notas do Capítulo: Dedicando esse capítulo pra minha amiga Mari. Que acompanha a fic desde o começo e que lia os capítulo quando ainda estavam sendo escritos em uma folha de caderno na sala de aula. Agradeçam a ela, porque ela me proibiu de matar o Aleck rs.Obrigada Mari linda!Boa leitura. xx

*POV Aleck*

Eu havia sido levado para a base deles, era aquilo que governava a Terra abaixo deles.
Tinha que arranjar um jeito de voltar, antes que Kat, Josh e Lex arranjassem um jeito de virem atrás de mim.
Prometi a mim mesmo que me manteria calado até que fosse solicitado, mas ficaria de olho aberto, prestando atenção a cada detalhe.
Tinham apenas dois guardas na nave que me transportava, e ela parecia própria para transportar prisioneiros, já que eu estava em um tipo de cela.
- Ele não está falando. – Disse um deles.
- Melhor assim... Ele deve estar apenas com medo. – O segundo falou.
- E se ele não souber falar?
- O problema não é nosso Denis.
Denis? Era possível que eles tivessem nomes tão humanos?
Então me lembrei de uma velha história que pessoas dentro do buraco contavam para as crianças.
Em um dia do ano, uma nave dos superiores passava sobre o planeta para recolher humanos para que eles virassem comida para eles, e todos que tivessem sangue humano e estivessem na superfície durante esse dia, seriam levados e nunca mais voltariam.
Era uma história completamente exagerada, usada apenas para que as crianças não ficassem com vontade de sair e explorar o mundo do lado de fora, e foi exatamente por isso que eu não a contei a Kat.
A história também era usada para que diminuísse o número de desgarrados, pessoas que escolhiam viver com os superiores a se colocar no mesmo lugar em que toda a sua espécie fora designada.
A nave estava desacelerando. Me estiquei para ver onde iríamos pousar.
A base era enorme. Praticamente uma cidade. Era subdividida em níveis. A maioria das paredes era feita de vidro, dando para ver os seres que circulavam pelos corredores e nem todos tinham aparência humanoide.
Ao fundo, dava para se ver o topo do planeta, que parecia mais azul que nunca fora em fotos da NASA no período em que o mundo era dos humanos e não dos superiores.
Fizemos uma descida brusca e eles pararam diante de um enorme portão, onde tinha símbolos gravados, que interpretei como letras ou números.
Assim que pousamos, me senti pequeno. Tudo na base era três vezes maior do que tudo fora um dia na Terra. Era como se gigantes morassem na base, o que eu não imaginava impossível.
Denis e o outro guarda me pegaram pelo braço, um de cada lado.
- Vocês poderiam me dar licença... Gostaria de ir sozinho, não precisam me segurar, não vou lutar contra nenhuma força de vocês, apenas me guiem.
Denis olhou para o guarda.
- Afirmativo, se tentar qualquer tipo de fuga, será automaticamente abatido.
Assenti com a cabeça.
- Denis, vá à frente.
Denis foi a minha frente, me guiando pelo interior da base enquanto o outro guarda ia com a ponta da arma em minhas costas.
- Devemos levá-lo ao comandante?
- Afirmativo Denis. Se ele ainda for útil, ele ficará preso, se não for, só o Comandante sabe o que fará com ele.
Os dois não falaram mais nada no caminho até a sala do comandante.
Paramos em frente a uma sala com uma enorme porta branca, onde havia duas insígnias, uma em cada porta, talvez símbolos do governo do planeta deles.
- O senhor será interrogado pelo Comandante Alarik, pedimos que não tente nenhum ato de violência ou tentativa de fuga, lembrando que está em uma base espacial, e humanos não respiram onde não há oxigênio.
Ele soltou as algemas de metal que cobriam meus pulsos e mãos e me direcionou para dentro da sala, a princípio vazia. A porta se fechou atrás de mim, e me vi sozinho em uma sala enorme. A vista da enorme janela estava voltada para o continente africano.
- Então é você que está mantendo meu filho... Ou devo dizer só seu nome.
- Perdão. – Falei.
A cadeira da mesa a minha frente girou, um homem alto e forte, com um porte poderoso estava sentado nela. Olhos profundamente azuis exalavam maldade e crueldade, eu podia sentir todas as coisas horríveis que ele tinha feito. O cabelo era penteado impecavelmente para trás.
- Sente-se. – Ele ofereceu a cadeira à frente de sua mesa.
Andei até ela, ainda meio desconfiado, mas me sentei mesmo assim.
- Vejo que é bem civilizado para um humano. – Ele falou, abrindo um sorriso maldoso.
- A maioria de nós procura ser assim, Comandante.
- Por favor, me chame de Alarik. – Ele fez uma pausa. – Então é você que está mantendo meu filho em seu planeta?
Eu não fazia ideia do que ele estava falando.
- Me perdoe, Comandante... Eu não sabia sequer da sua existência, como poderia saber de seu filho.
- Ele está lá há alguns meses, mas talvez o bastardo nunca tenha tocado em meu nome.
Fiquei parado, tempo suficiente para descobrir que ele falava de Lex. Forcei minha mente a fingir que não o conhecia, para a probabilidade de ele poder ler minha mente.
- Me desculpe, não conheço nenhum superior.
- Seu nome é Lex... E ele era meu filho. No momento, é um deserdado, um impostor, traiu a mim e a sua espécie no momento em que quis ficar em seu planeta.
- Queira me perdoar comandante, mas só estava fora de minha casa para pegar algumas ervas. Sou um botânico, ainda faço experimentos.
Ele me estudou. Esperava que não estivesse tendo nenhum espasmo que denunciasse que estava mentindo. Ele fez aparecer um holograma em sua mesa.
- Oficial, queira me trazer o vídeo relatório da última nave Caça L, por favor.
Um “afirmativo” foi ouvido. Enquanto esperava, Alarik me estudava, o que me dava certo desconforto. Eu estava tentando ao máximo não demonstrar que estava mentindo que conhecia Lex. Preferia que eu fosse ferido a qualquer um dos meninos.
Um oficial entrou na sala, trazendo um arquivo numa espécie de micro cubo.
- Aqui está a memória do Caça L, comandante.
- Obrigado, oficial. – O oficial se dirigiu apressado à porta. – Vejamos o quanto sabe senhor Aleck.
Ele colocou o micro cubo sobre sua mesa e o micro cubo se expandiu em uma tela do tamanho da mesa do Comandante.
Na tela, eu e Josh, e tudo o que eu dizia, dava para ser ouvido nitidamente.
Corra Josh, corra.”
“Eu não vou voltar sem você!”
“Você precisa avisar a eles.”
“Se eu chegar naquele prédio sem você é provável que eu morra.”
“Você não tem escolha garoto... Talvez eles saibam o que fazer. Me deixe aqui, corra o máximo que puder.”
Ele travou o vídeo e olhou diretamente para mim.
- Quem seria esse jovem que você chama de Josh?
- Um amigo... O conheço desde que era uma criança. – Verdade.
- Excelente. E você fala sobre avisar a “eles”, quem seriam “eles”?
- Meus filhos.
- E quais seriam seus nomes?
Eu precisava pensar em um nome, e rápido. Sabia que se demorasse mais de três segundos, Alarik saberia que eu estava escondendo algo dele.
- Kat e Matthew.
Matthew morrera há doze anos e ainda salvava minha vida.
- Quantos anos eles têm?
- São gêmeos, têm vinte anos.
Alarik não parecia satisfeito com minhas respostas instantâneas.
- Eu posso fazer um teste com o senhor?
Afirmei com a cabeça.
Ele esticou a mão e pensei que ela ia tocar em minha testa, mas ela continuou até eu poder senti-la tocando a parte de trás de meu cérebro.
- Não vai doer muito. – Ele falou.
Minha visão apagou. Então comecei a ver cenas de minha vida.
Matthew e Connie me salvando no meio da Guerra do Afeganistão e me levando para os Estados Unidos. Eles ainda nem eram casados quando isso aconteceu.
Meu primeiro dia de aula. Minhas notas medianas, Matthew me incentivando.
A visão pulou para dez anos depois.
Um bebê. Katheryn Thompson, minha pequena Kat.
Eu havia sido adotado, mas continuava mantendo contato com eles.
Um dia você vai ser protetor dessa garotinha, Aleck.”, Matthew disse e sorriu.
“PARE!” eu queria gritar. Alarik estava fazendo uma bagunça em minha mente... Estava revivando memórias que eu havia demorado tempo demais para esquecer.
A imagem a seguir mostrava Kat aos dois anos. Connie havia chegado a casa e eu, com meus doze anos, brincava com a pequena Kat.
Amor, fizemos uma descoberta incrível!”, Connie dissera.
O que houve?”
“Um sinal Matt, interceptamos um sinal!”, Connie ficara animada ao saber que eles tinham interceptado um sinal alienígena, mas isso significaria o fim deles e da linda família que eles poderiam ter sido.
E vocês o decifraram?”
“Precisamos da ajuda de um historiador... E bem, precisamos de você.” Ela falou, orgulhosa e ele devolveu o sorriso.
A imagem seguinte mostrava Connie e Matt.                                         
“Connie, eu posso estar errado.”
“Não, Matt. Era isso mesmo... É uma invasão... Só não temos ideia de quanto tempo temos, podemos ter anos, meses, dias, horas... Não sabemos.”
Tivemos anos, exatamente seis anos.
Chegamos à parte da minha vida que eu mais detestava. Meus dezoito anos.
Connie, Matt, precisamos nos esconder!” – Eu gritei, estava mais assustado que nunca.
Vou pegar Kat, tem um buraco logo ali atrás!” Connie falou, a calma em sua voz chegava a ser irritante.
Eles pegaram Kat e a colocaram dentro da pequena entrada na pedra.
“Fique em silêncio filha, logo o tio Aleck virá cuidar de você.”
“Mas papai, onde você está indo?”
“Vou ajudar mais pessoas, já voltamos.”
“Mamãe, fica aqui comigo.”
“Vou ajudar o papai filha, nós já voltamos.”
Foi a hora mais longa de minha vida. Eu ajudei Matthew e Connie a resgatarem o máximo de pessoas possível.
Passávamos por corpos esquartejados, pessoas apenas mortas, sem nenhuma lesão a mostra. Pessoas chorando, crianças perdidas, mas não podíamos ajudar todas.
Hei, qual o seu nome?”
“Joshua, Joshua Campbell” Ele respondeu a Connie, prendendo o choro o máximo que podia.
“Olá Joshua, onde estão seus pais?”
“Foram pegar a bolsa da minha irmã”
“Aleck, fique com ele, até os pais dele chegarem, já volto pra irmos buscar a Kat.”
Eu não tinha mais o que fazer, então me sentei mudo e trêmulo ao lado de Josh, eu não lembrava que o havia conhecido quando era pequeno.
Não fique com medo... Meus pais disseram que isso vai passar, é só questão de tempo.” Ele não sabia o que estava dizendo, era apenas uma criança, no mundo dele, aquele ataque era como uma chuva, mas eu lembrava o ataque que Matthew previra anos antes.
Os pais de Josh logo chegaram e o pai dele o pegou nos braços.
Corri e gritei Connie e Matthew.
Vamos Connie, só mais um pouco!”
“Matthew, me deixe aqui, vá pegar Kat e a deixar a salvo! Ande!”
As pernas de Connie estavam cortadas pela metade. Lembro-me de ter virado a cabeça para o lado e vomitado apenas bile, porque estava de estômago vazio.
Não vou aguentar muito tempo Matt... Eu te amo, sempre vou te amar... Cuide da Kat por mim.” Connie havia feito peso pra baixo e caíra sobre as pernas decepadas.
O grito de dor de Connie partiu meu coração em quantos pedaços é possível pela matemática.
Lembro-me de sentir meu coração parar de bater. Era como se todos os sons tivessem sido interrompidos e só desse para ouvir o grito de Connie.
Matthew gritava o nome dela diversas vezes até ter certeza de que sua esposa estava morta.
Olhei para uma mancha escura, vindo mais atrás. Eu podia ver braços e pernas serem lançados pra cima, uma chuva de sangue espirrava pra cima quando um exército superior vinha destruindo tudo pelo caminho, à frente, agora eu reconhecia Alarik.
Matthew, anda precisamos correr!”
Matthew me segurou nos braços, acho que nunca havia chorando tanto em minha vida.
“Me prometa Aleck, prometa que você cuidará de Kat como se fosse sua filha.”
“Matthew, não...”
“Aleck, me prometa!”
Balancei a cabeça, não conseguia mais falar.
“Ótimo... Vou ficar aqui... Connie precisa de mim.” Ele falou, me lançando um sorriso triste. “Nunca omita nada de Kat, deixe a seguir os próprios passos, nunca a reprima, sempre a incentive. Isso faz parte da promessa.”
O exército de Alarik vinha chegando mais e mais perto.
Vá garoto... Salve quem puder, salve Kat... Seja o ótimo pai que eu não poderei ser pra ela.”
Matthew me empurrou e eu cambaleei um pouco antes de cair em cima de um corpo.
Me levantei e corri um pouco. Eu não devia ter olhado para trás para ter evitado essa memória.
Eu vi Matthew, meu pai, meu primeiro pai, ser esquartejado. Os braços foram cortados e jogados em um lado, a cabeça e as pernas não vi onde foram parar.
Corri o mais rápido possível para onde Kat estava.
Cheguei ao buraco e lá estava ela, abraçada aos joelhos, com a cara emburrada, por não terem levado ela para a “aventura”.
“Onde estão papai e mamãe, tio Aleck?”
Senti o coração pesar no peito, como ia dizer a ela que eles estavam mortos? Ela só tinha oito anos, ainda era pequena pra saber que os pais foram mortos do jeito que foram.
Desculpe Matthew, terei que mentir pra ela.” Pensei, sabendo que estava quebrando a primeira regra.
“Desculpa Kat... Eles não vão voltar.”
A segurei no colo e a levei para um lugar seguro e longe dali, um prédio, todo com janelas de vidro. O prédio em que ela e Josh viviam agora.
Fomos para o terraço. Ela dormia em meus braços. A coloquei deitada no chão e de cima do prédio pude ver o extermínio, ainda via pessoas correndo e conseguindo se proteger.
Depois que os superiores haviam ido embora, eu não ouvia mais nada. Não haviam choros, não haviam alarmes de carros, não haviam latidos de cachorros, não havia nada, além do barulho do vento balançando as árvores.
Eu ainda estava chorando e até meu próprio choro era silencioso.
Olhei para minha camisa, suja de sangue. Eu estava completamente sujo. Olhei para Kat, ela estava completamente suja também, por ter ficado em meu colo.
- Me desculpe Kat. – Falei, em meio a um soluço e outro.
Olhei para o céu, que estava azul demais para um dia tão horrível.
- Eu prometo, prometo ser o protetor que você disse há muito tempo. Prometo cuidar dela como a minha vida. Prometo ser o pai que você não vai poder ser. Prometo... Prometo não omitir nada dela, mesmo tendo que esperar ela ter certa idade para saber a verdade... Eu prometo. Pela Connie. Por você Matthew. Eu prometo, pelos meus primeiros pais de verdade.
Eu desabei de joelhos.
As imagens começaram a acelerar. Noites em claro, com Kat chorando, pedindo que eu fosse procurar os pais. Algumas semanas depois, a mãe de Josh organizara um lugar onde ficaríamos seguros, nossa mudança para o buraco, Kat e Josh virando amigos, a primeira saída do buraco, o dia em que ela voltou feliz por ter aprendido a caçar.
Os anos passaram rápido até o dia em que ela trouxe roupas a mais para lavar, e elas não eram de Josh. Os pesadelos e ela chamava apenas um nome: “Lex”.
O dia em que iam me humilhar em praça pública e ela foi chicoteada em meu lugar.
Eu tratando de seus cortes. Josh me contando tudo sobre Lex e sobre o plano de Kat de salvar o mundo com a ajuda dele, mas que ela disse que o plano era um fracasso.
A cadeira elétrica, o black-out, Lex. Eu indo colher ervas, a nave, e tudo voltou a ficar escuro.
As memórias haviam sido tão dolorosas pra mim que eu sabia que aquela escuridão era um desmaio.

Eu seria sortudo demais se estivesse morto.

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