*POV Josh*
Eu não pude entender
porque Lex não tinha ficado chateado comigo e muito menos porque Kat não me
dera um tapa.
Eu tinha beijado a
“namorada” do meu inimigo ao mesmo tempo em que beijava minha melhor amiga
apaixonada e nada tinha mudado seu curso.
Não que fosse minha
intenção causar problemas, mas era como se não houvesse acontecido exatamente
nada.
Depois de colocar o
capacete, eu comecei a ficar nervoso. Não conseguia mais controlar minha
respiração.
Lex desceu comigo até um
túnel, onde não cabia mais de duas pessoas em pé.
- Você precisa ficar
ajoelhado e pronto para o impulso. – Lex falou, me mostrando a posição que eu
deveria ficar. – Está vendo aquela escotilha, você vai sair por ela. Será uma
coisa muito rápida, eu vou abrir e em uma fração de segundos, você estará do
lado de fora.
Assenti com a cabeça,
começando a ficar realmente preocupado.
- O seu capacete tem um
visor, que mostrará o curso para a entrada correta, não se desvie dele.
- E se eu me desviar
acidentalmente? – Perguntei.
- Se sair muito para a
direita do curso, aperte a mão esquerda. É um tipo de Jet Pack preso em seus
pés, só que você o controla com as mãos.
Olhei para as mãos e vi
duas elevações por baixo do que seriam luvas.
- Acha que consegue? – Ele
me perguntou.
Tinha o olhar tão
preocupado, que eu até podia jurar que ele estava sendo piedoso e legal comigo.
Assenti com a cabeça.
- Vou voltar para a sala
de comando, espere minha contagem.
Ele subiu pela escotilha a
qual tínhamos entrado e a fechou. Ótimo, não tinha mais volta.
Não demorou muito até eu
ouvir a voz de Kat em meu capacete.
- Josh.
Eu relaxei ao ouvir a voz
dela.
- Sim Kat.
- Tudo bem aí em baixo?
- Sim senhora. – Falei,
tentando aliviar a tensão.
- Conseguiu pegar todas as
instruções?
- Sim.
- Sabe que vai estar a
mais de 200km/h não sabe?
Eu congelei.
Lex era realmente um
maldito, porque não me disse a minha velocidade. Quando ele dissera “fração de
segundos” eu pensei que era só modo de falar.
- Bem... Não, eu não sabia
dessa parte.
- Não faz mal... É como
dirigir. – Ela falou.
- Esqueceu que eu não
cheguei a ter idade pra dirigir enquanto ainda havia carros?
- Lex chegou. – Ela
informou.
- Calculando rota. – Lex
informou.
A rota apareceu traçada no
visor de meu capacete.
Eu não entendia todos os
símbolos que estavam aparecendo ali, mas os números eu pude entender. Era quase
1km de distância de onde nós estávamos.
- É meio longe não é? –
Falei, tentando ocultar o nervosismo em minha voz.
- Vai chegar lá bem
rápido, você não vai nem sentir. – Lex falou.
- Isso seria em que
velocidade mesmo?
- Uns 250 a 350km/h. – Lex
fez uma estimativa.
- Rota calculada. – Kat
falou.
- Está pronto? – Lex
falou.
“Não” eu queria gritar.
- Sim. – Falei.
- Preparar para
impulsionar. – Lex falou.
- Contagem, impulso em
10... – Kat começou a contar.
Eu me ajoelhei e tomei
fôlego mais de uma vez.
09
08
07
06
05
04
03
02
01
00
Como Lex havia dito, a
escotilha abriu tão rápido e o vácuo me impulsionou pra fora com tanta força,
que era como se eu não tivesse peso.
- Tudo bem Josh? – Lex
falou.
- Positivo. – Falei.
- Recupere o equilíbrio,
está visualizando a rota? – Lex falou.
Uma linha de cor branca
brilhava a minha frente, como um antigo navegador GPS, só que era em 3D e em
tamanho real.
- Estou vendo.
- Siga essa trajetória,
vou tentar abrir a escotilha de lá.
- E se eu chegar lá e ela
não estiver aberta?
O silêncio do outro lado
do comunicador me fez tremer.
Se eu estava mesmo indo àquela
velocidade que Lex estimou, eu chegaria lá rápido demais, eu precisaria que a
escotilha estivesse aberta.
*POV Lex*
Eu tinha me esquecido de
programar a escotilha da Emperor.
Não fazia a mínima ideia
se Josh chegaria lá a tempo da escotilha abrir ou se ele ia bater, rachar o
cabeça e seus olhos iam pular das órbitas.
- Eu devia ter ido. –
Resmunguei, enquanto colocava códigos na tela.
- Relaxa, você vai
conseguir. – Kat falou.
Ela pousou a mão em meu
ombro e me beijou as costas, o que me causou um pequeno arrepio.
- Pessoal! – Josh falou,
no comunicador. – 30m do final da trajetória.
Olhei para todos os cantos
da tela, tinham códigos em todos os lugares, eu não conseguiria abrir.
- 27m do final da
trajetória.
- Lex! – Kat falou, a voz
alarmada.
- 25m! – Josh já tinha
desespero na voz. – Está chegando rápido demais, Lex.
Comecei a digitar mais de
três códigos por vez.
- 17m!
- Lex... Não tem como
acelerar não? – Kat falou, eu podia ver suas mãos trêmulas.
- Estou tentando o máximo
que posso!
- 10m! Lex, socorro! –
Josh gritou.
Os códigos já confundiam
minha cabeça.
Nenhum dos códigos de
acesso, dos passes que eu tinha, funcionavam.
- 8m! – Josh falou, podia
sentir o choro crescendo em sua garganta.
Tentei meu cartão de
acesso. Negado!
- 6m!
- DROGA! NENHUM CÓDIGO
QUER FUNCIONAR! – Eu gritei, frustrado.
- 5m!
- Está usando um hacker? –
Kat perguntou, a respiração acelerada.
- Estou! – Falei.
- 4m! Parem de discutir,
merda, tentem qualquer coisa.
- O código de acesso do
seu pai. – Kat deu a ideia.
- Preciso checar os dados
da nave.
- Ele não vai ter tempo. –
Kat já estava gritando atrás de mim.
Comecei a vasculhar todos
os arquivos do banco de dados da Emperor.
- 3m!
- Lex.
- 2m!
- ANDA LOGO LEX!
- AH MERDA, TEM QUE SER
ESSE!
Digitei o código
furiosamente.
- 1m! Lex!
- Acesso confirmado! – Uma
voz no computador falou.
A escotilha da base se
abriu no último momento, se fechando logo depois da passagem de Josh.
Soltei o ar.
- Josh, como foi a
aterrissagem?
Josh não respondeu.
- Josh?! – Falei de novo.
Nada.
Kat me olhou, o desespero
cresceu em ambos.
- Josh, pelo amor de Deus,
responde! – Kat gritou.
Ouvimos gemidos.
- Eu vou ficar legal, só
acho que me quebrei um pouco.
Respirei, aliviado. Kat se
largou na cadeira, os olhos fechados de alívio.
- Me prometa que isso
nunca mais vai acontecer! – Josh falou.
- Nunca mais vou permitir
que faça isso.
- Ok, o que tenho que
fazer agora?
- Ah sim... Final do
corredor pegue um uniforme e coloque por cima da roupa que está usando. Não
temos muito tempo. Você é bom que corpo a corpo?
- O que?
- Luta corpo a corpo?
- Bem eu me viro...
- Vai precisar se virar, o
andar está cercado por guardas.
- Me dê uma noticia boa.
- Bem, a quantidade de
guardas é a certeza de que Aleck está aí.
- Ok, isso é uma ótima
notícia... Não pode fazer nada para distrair os guardas?
- Permaneça parado aí.
Comecei a digitar códigos
que significavam intervalo de uma hora.
- Tem uma hora pra pegar
uma roupa e tirar Aleck daí.
- Isso dá e sobra.
Josh pegou uma roupa cinza
de cadentes, como eu havia dito e a vestiu com facilidade.
- Pra que lado fica a cela
de Aleck?
- Esquerda. Corredor
branco, não vai se perder.
Josh subiu dois
corredores. Eu podia ir vendo os movimentos de Josh pelo transmissor conectado
a sua roupa, que mostrava sua localização em um mapa.
Ele parou em frente a uma
cela.
- Vá para a quarta cela
Josh, ele está lá.
Josh andou até a quarta
cela e usou meu cartão de código de acesso para abrir a porta.
- Oh meu Deus, Aleck. –
Josh falou.
- O que foi? Josh, o que
houve? – Kat ficou apreensiva ao meu lado.
- Precisamos de seu poder
de cura Lex.
- Não podemos agora, vou
pousar a nave no hangar e vou fazer a nossa parte do plano. Traga Aleck para a
nave e amarre o braço dele o mais forte possível ao corpo.
O show vai começar.
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