*POV Kat*
Saber que meu pai estava
em condições deploráveis era como levar um soco no estômago, mas eu precisava
me concentrar em minha parte do plano. Eu tinha certeza de que meu pai estava
salvo.
Lex manobrou a nave até o
hangar marcado no mapa quando nós repassamos o plano.
- Preparada?
- Sinceramente...? Não. –
Falei.
- Ei... Vai dar tudo
certo. – Ele falou, me lançando um sorriso.
Respirei fundo quando
senti a nave tocar o chão.
- Vou colocar meu
uniforme. – Ele falou.
Como não me deu nenhuma
advertência sobre eu esperar sentada ou não, fui atrás dele.
- Lex... Sobre o que
aconteceu há pouco tempo atrás.
- Você e Josh? – Ele
falou, sem olhar pra mim.
- Sim. Bem, você não
sentiu nada não é? Quero dizer... Não ficou com raiva ou nada disso.
- Não... Eu entendi o lado
dele. Eu consigo ver que vocês, humanos, precisam de uma atenção maior de vez
em quando.
Aquilo foi um balde de
água fria no inverno. Ele estava sendo grosso.
- Lex... O que quer dizer?
- Quer dizer que você
precisa dar atenção a ele Kat. Ele precisa de você. E é por isso que o plano
tem que dar certo.
- Do que está falando?
- Estou falando de ir
embora Katheryn.
Ele nunca havia gritado
assim, ele nunca havia falado meu nome daquele jeito. Ele sempre me chamava por
um apelido.
- Está com raiva... Eu sei
que está.
- Ache o que quiser Kat...
Estamos prestes a entrar em uma base inimiga e você está preocupada com o que
eu penso.
- Estou... Porque isso é
importante pra mim, e eu esperava que você entendesse.
Ele terminou de fechar o
último botão da farda cinza e se virou pra mim.
- Não importa muito o que
eu penso agora, se nós morrermos lá dentro não vai fazer diferença.
Ele andou até o outro lado
da sala e abriu um compartimento, onde tinha um par de algemas.
Eu estava lá, parada,
olhando para o chão, piscando com frequência para não começar a chorar.
Ele parou a minha frente e
levantei os olhos pra ele.
Tinha o semblante sério, e
pela primeira vez, o via como um superior nojento e rude.
- Com licença senhorita,
os pulsos. – Ele me pediu e levei meus pulsos até ele.
Ele fechou as algemas ao
redor de meus pulsos. Quanto a pulseira, ele apertou um botão e a deixou
invisível.
Ele me olhou de novo. Os
olhos eram frios.
Me senti fraca, a ponto de
cair sobre meus joelhos ali mesmo e começar a chorar.
Era injusto! Lex podia ler
minha mente, mas eu estava me abrindo para ele, contando tudo que eu sentia. Eu
queria saber o que ele estava pensando, queria saber o porquê de estar com
raiva de mim e me fazendo ficar mal.
Os olhos dele começaram a
brilhar. Ele virou o rosto pro lado e fechou os olhos.
- Me desculpe.
Ele me abraçou.
Não pude retribuir graças
as minhas mãos algemadas.
- Isso era pra testar se
você estava se permitindo sentir... Já vi que vai ser um fardo quando eu
precisar ser julgado. – Lex falou.
- Você não vai...
- Eles vão me obrigar. Nem
que pra isso eles precisem dominar seu planeta de novo.
Ele me virou pelos ombros
e começou a caminhar para fora da nave.
- Que bom que está com
cara de choro. – Lex falou ao meu ouvido.
Começamos a caminhar para
fora da nave, para dentro da base.
Uma linha de suor começou
a se formar sobre minha testa.
[...]
- Com licença, oficial,
preciso levá-la para a cela, ordens do Comandante Alarik. – A voz de Lex falhou
ao falar o nome do pai dele.
Um dos guardas o estudou e
abriu passagem, para perto de onde meu pai estava sendo mantido.
Lex olhou para trás.
Depois parou a minha
frente e soltou minhas algemas a força.
- Vamos, temos pouco
tempo.
Corremos até o final do
corredor, onde ficavam as roupas de cadentes.
Peguei uma para mim e
vesti ali mesmo.
- Solte o cabelo. – Lex
falou.
- Pra quê?
- Eles vão te reconhecer
se andar de trança, afinal, não fazemos tranças.
Ele puxou o elástico que
prendia meu cabelo e o bagunçou.
Lex olhou pra mim de um
jeito estranho.
- O que houve?
- Você está... Bonita.
Fiquei em silêncio,
tentando absorver a ideia de que ele me achou bonita nas fardas superiores.
- Vamos. – Lex falou.
Minha pulseira voltara a
ser visível.
- Me dê a mão, digite o
código 033 e aperte o botão de teletransporte. – Lex falou.
A ordem numérica deles era
igual a nossa, portanto não foi difícil me localizar.
Apertei o botão e fomos
transportados para uma sala escura.
- Onde estamos?
- No centro da Emperor. É
aqui que vai colocar as bombas.
- O que? E quanto evacuar
a base?
- As bombas só vão
explodir quando você apertar em sua pulseira. Se não tivermos escolha, já
teremos as bombas implantadas.
Assenti.
Coloquei bombas espalhadas
por todos os cantos da sala.
- Se esse lugar explodir,
todos os subníveis da base serão destruídos, porque todos têm materiais
explosivos. Precisamos estar longe.
- Pronto, coloquei em
todos os cantos da sala, tanto no chão, quanto nas paredes.
Dei a mão a, digitei o
código que ele havia me pedido para digitar e fomos transportados.
Eu não podia acreditar
onde estávamos.
O par de olhos azuis frios
olhava para nós com um brilho mortal e doentio, que me fez me sentir febril.
- Por favor, me diz que
não fez isso de propósito e só errou o código. – Falei, ainda segurando a mão
de Lex.
Eu não pretendia ter um
encontro com Alarik antes de explodir a base.
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