terça-feira, 8 de outubro de 2013

Capítulo 28

*POV Kat*

Saber que meu pai estava em condições deploráveis era como levar um soco no estômago, mas eu precisava me concentrar em minha parte do plano. Eu tinha certeza de que meu pai estava salvo.
Lex manobrou a nave até o hangar marcado no mapa quando nós repassamos o plano.
- Preparada?
- Sinceramente...? Não. – Falei.
- Ei... Vai dar tudo certo. – Ele falou, me lançando um sorriso.
Respirei fundo quando senti a nave tocar o chão.
- Vou colocar meu uniforme. – Ele falou.
Como não me deu nenhuma advertência sobre eu esperar sentada ou não, fui atrás dele.
- Lex... Sobre o que aconteceu há pouco tempo atrás.
- Você e Josh? – Ele falou, sem olhar pra mim.
- Sim. Bem, você não sentiu nada não é? Quero dizer... Não ficou com raiva ou nada disso.
- Não... Eu entendi o lado dele. Eu consigo ver que vocês, humanos, precisam de uma atenção maior de vez em quando.
Aquilo foi um balde de água fria no inverno. Ele estava sendo grosso.
- Lex... O que quer dizer?
- Quer dizer que você precisa dar atenção a ele Kat. Ele precisa de você. E é por isso que o plano tem que dar certo.
- Do que está falando?
- Estou falando de ir embora Katheryn.
Ele nunca havia gritado assim, ele nunca havia falado meu nome daquele jeito. Ele sempre me chamava por um apelido.
- Está com raiva... Eu sei que está.
- Ache o que quiser Kat... Estamos prestes a entrar em uma base inimiga e você está preocupada com o que eu penso.
- Estou... Porque isso é importante pra mim, e eu esperava que você entendesse.
Ele terminou de fechar o último botão da farda cinza e se virou pra mim.
- Não importa muito o que eu penso agora, se nós morrermos lá dentro não vai fazer diferença.
Ele andou até o outro lado da sala e abriu um compartimento, onde tinha um par de algemas.
Eu estava lá, parada, olhando para o chão, piscando com frequência para não começar a chorar.
Ele parou a minha frente e levantei os olhos pra ele.
Tinha o semblante sério, e pela primeira vez, o via como um superior nojento e rude.
- Com licença senhorita, os pulsos. – Ele me pediu e levei meus pulsos até ele.
Ele fechou as algemas ao redor de meus pulsos. Quanto a pulseira, ele apertou um botão e a deixou invisível.
Ele me olhou de novo. Os olhos eram frios.
Me senti fraca, a ponto de cair sobre meus joelhos ali mesmo e começar a chorar.
Era injusto! Lex podia ler minha mente, mas eu estava me abrindo para ele, contando tudo que eu sentia. Eu queria saber o que ele estava pensando, queria saber o porquê de estar com raiva de mim e me fazendo ficar mal.
Os olhos dele começaram a brilhar. Ele virou o rosto pro lado e fechou os olhos.
- Me desculpe.
Ele me abraçou.
Não pude retribuir graças as minhas mãos algemadas.
- Isso era pra testar se você estava se permitindo sentir... Já vi que vai ser um fardo quando eu precisar ser julgado. – Lex falou.
- Você não vai...
- Eles vão me obrigar. Nem que pra isso eles precisem dominar seu planeta de novo.
Ele me virou pelos ombros e começou a caminhar para fora da nave.
- Que bom que está com cara de choro. – Lex falou ao meu ouvido.
Começamos a caminhar para fora da nave, para dentro da base.
Uma linha de suor começou a se formar sobre minha testa.

[...]

- Com licença, oficial, preciso levá-la para a cela, ordens do Comandante Alarik. – A voz de Lex falhou ao falar o nome do pai dele.
Um dos guardas o estudou e abriu passagem, para perto de onde meu pai estava sendo mantido.
Lex olhou para trás.
Depois parou a minha frente e soltou minhas algemas a força.
- Vamos, temos pouco tempo.
Corremos até o final do corredor, onde ficavam as roupas de cadentes.
Peguei uma para mim e vesti ali mesmo.
- Solte o cabelo. – Lex falou.
- Pra quê?
- Eles vão te reconhecer se andar de trança, afinal, não fazemos tranças.
Ele puxou o elástico que prendia meu cabelo e o bagunçou.
Lex olhou pra mim de um jeito estranho.
- O que houve?
- Você está... Bonita.
Fiquei em silêncio, tentando absorver a ideia de que ele me achou bonita nas fardas superiores.
- Vamos. – Lex falou.
Minha pulseira voltara a ser visível.
- Me dê a mão, digite o código 033 e aperte o botão de teletransporte. – Lex falou.
A ordem numérica deles era igual a nossa, portanto não foi difícil me localizar.
Apertei o botão e fomos transportados para uma sala escura.
- Onde estamos?
- No centro da Emperor. É aqui que vai colocar as bombas.
- O que? E quanto evacuar a base?
- As bombas só vão explodir quando você apertar em sua pulseira. Se não tivermos escolha, já teremos as bombas implantadas.
Assenti.
Coloquei bombas espalhadas por todos os cantos da sala.
- Se esse lugar explodir, todos os subníveis da base serão destruídos, porque todos têm materiais explosivos. Precisamos estar longe.
- Pronto, coloquei em todos os cantos da sala, tanto no chão, quanto nas paredes.
Dei a mão a, digitei o código que ele havia me pedido para digitar e fomos transportados.
Eu não podia acreditar onde estávamos.
O par de olhos azuis frios olhava para nós com um brilho mortal e doentio, que me fez me sentir febril.
- Por favor, me diz que não fez isso de propósito e só errou o código. – Falei, ainda segurando a mão de Lex.

Eu não pretendia ter um encontro com Alarik antes de explodir a base.

Nenhum comentário:

Postar um comentário