Já estávamos morando no
Norte há um ano.
Nunca mais tivera notícias
de Lex, mas como minhas tatuagens continuavam em constante mudança, eu sabia
que ainda estava vivo.
Josh havia começado a
namorar uma superior da minha idade.
Seu nome era Dakota.
Quando a conheci, ela era verde, o que me deu um pouco de medo, mas ela
explicou que era porque tinha comido alguma coisa, que agora não me lembro o
que, e isso era um método de defesa do corpo para que ela não passasse mal.
Dakota cuidava de Nik como
se fosse sua própria filha e eu nunca vira Josh mais feliz.
O braço mecânico de meu
pai era muito mais eficiente que o braço que fora arrancado. Finalmente ele
pode terminar a faculdade de medicina e atuar no hospital das províncias.
Abigail me ofereceu uma
cadeira na ala de historiadores mundiais, dizendo que eu seria seu braço
direito na ONU, eu disse que precisava pensar.
Para mim, o mundo tinha
voltado ao normal.
Até que um dia recebemos
uma notícia.
[...]
Eu e Josh estávamos
acampando em um parque.
- É... Quem diria que
depois de tudo aquilo, estaríamos aqui de novo? Comendo morangos em frente a um
lago. – Ele falou.
- É... Vou sentir saudades
de sair mesmo sendo proibido.
- Pelo menos aqui você tem
creme de avelã sempre que quiser.
- Nossa está me chamando
de gorda! Eu não sou assim.
Nós rimos.
O silêncio tomou conta do
lugar, sendo cortado por um apito agudo.
Josh levou as mãos aos
ouvido e estreitou os olhos.
- O que é isso?
- Não sei.
Olhei para cima e uma nave
vinha na direção do lago.
- Corre Kat, anda!
Josh me ajudou a levantar
e nós corremos para que a nave caísse.
- Cápsula. – Josh falou.
Era uma cápsula de
emergência e cápsulas não tinham como aterrissarem, elas simplesmente caíam.
- Eu vou.
- De novo Kat?
- Acho que não devemos
mais fazer piqueniques perto de lagos. – Falei, sorrindo.
Andei até o lago e escalei
na cápsula.
Meus olhos logo se
encheram de lágrimas.
- Josh me ajuda aqui! –
Gritei.
Ele veio correndo.
- Cara... Ele realmente
não tem sorte nunca!
Abrimos a capsula e
tiramos Lex de lá.
- Muito obrigado, eu
estava preso. – Ele falou.
Os olhos dele encontraram
os meus.
Eu pulei, com os braços
enroscando em seu pescoço.
- Você nunca mais vai sair
de perto de mim. – Falei, enchendo sua boca de selinhos.
- Nossa, como vocês são
melosos. – Josh falou, fazendo com que eu parasse e corasse.
- Josh.
- Lex.
Os dois se abraçaram, o
que eu achei estranho de início, mas depois sorri.
- Como sabia que estávamos
aqui? – Josh falou.
- As costas da Kat.
Sorri. Era por isso que as
tatuagens incomodavam de vez em quando.
Lex pulou da capsula e
pulamos logo atrás.
- Tem alguém que vai
querer falar com você. – Falei.
[...]
Levei Lex até Abigail,
logo os dois estavam falando termos que eu nunca ouvira falar antes.
- Tenho uma pergunta a
fazer, seu pai, era ele que organizava os ataques não era? – Abigail chegou ao
ponto que eu queria chegar, mas estava com medo de perguntar.
- Sim, era ele mesmo.
- O que aconteceu depois
da explosão?
- Bem, eu o apaguei antes
de Kat explodir a base. Eu sabia que ele não resistiria a uma explosão e
morreria. Eu o apaguei e fiz de tudo para conseguir me teletransportar para o
meu planeta. Sabia que era um esforço muito grande e que se eu conseguisse,
provavelmente chegaria morto ou quase isso.
- E você conseguiu? –
Perguntei.
- Bem... Mais ou menos, eu
tive que tentar três vezes, o que acabou com a minha energia. Quando finalmente
cheguei ao meu planeta, me levaram direto para uma enfermaria.
Abigail olhou pra mim.
- Seu namorado é
sensacional, prima.
- Espera... Prima? – Lex
falou.
- Abigail é sobrinha da
minha mãe.
Lex sorriu.
- Sua família não acabou
Kat. – Ele falou, passando o braço em volta da minha cintura.
Eu sorri, era a primeira
vez que eu pensava nisso.
- Vou dispensar os dois...
Ficaram um ano sem se ver, vão aproveitar.
Lex me deu a mão e
começamos a andar pela cidade.
- Me desculpe. – Ele
falou.
- Pelo que?
- Eu não estava aqui o seu
aniversário de vinte e dois.
Revirei os olhos e o abracei.
- Não precisa disso.
- Você sabia que eu estava
vivo?
- Sabia, quando minhas
costas doíam, eu sabia que era você.
Ele sorriu.
- Quer ver a filha do
Josh?
- Josh tem uma filha?
- Bem, mais ou menos. Uma
superior tinha acabado de dar a luz alguns minutos antes da explosão e me
entregou a filha.
Ele voltou os olhos para o
chão.
- Nem tudo saiu como a
gente planejou. – Ele falou.
- Mas está tudo bem.
Ele me olhou e sorriu.
- Vem, vou te apresentar a
ela.
Levei Lex até Dakota, que
estava com Nik no colo.
- Dakota. – Falei,
sorrindo.
- Oi Kat. Então, esse é o
famoso Lex.
Lex corou.
- Posso? – Perguntei,
pegando Nik no colo.
Olhei para Nik, que
sorriu.
- Tia Kat. – Ela falou, a
voz era a coisa mais doce do mundo.
- Oi pequena, olha... Esse
é o tio Lex.
- Tio Lex?
- Isso mesmo. – Lex falou,
sorrindo.
Ela foi para o colo de Lex
e ficou brincando com seus cachos.
Eu ri quando ela puxou o
cabelo dele e ele fez uma careta.
- Nik, não faça isso. –
Dakota falou, prendendo uma risada.
Peguei Nik e a devolvi à
Dakota.
Voltamos a andar pela
cidade e mostrei onde eu morava.
Uma casa de dois andares
que dava para a rua.
- Que linda.
- É... Mas é bem
solitária.
Lex me olhou.
- E Josh? E seu pai?
- Josh agora mora com
Dakota e Nik, o que eu acho ótimo, afinal, ele se considerava sem família
graças à mãe dele. E Aleck viaja de um lado para o outro, agora que é médico.
- E eu?
Dei um soco de leve em seu
braço.
- Você estava desaparecido
seu bobo! – Falei, rindo.
Vi o carro de Abigail se
aproximando.
- Kat, Lex, temos duas vagas
no ONU, e estou pensando em colocar os dois.
- A minha ainda é a mesma?
– Perguntei.
- Sim. – Ela falou. – Lex,
a sua é acordos intraestrelares. E aí o que me dizem.
Olhei para Lex.
- Eu topo. – Falei.
- Estamos dentro Abigail.
Abigail sorriu.
- Espero os dois amanhã de
manhã no edifício central para resolvermos a situação das Províncias do Sul,
vamos tirar as pessoas daqueles buracos de minhoca.
Abigail arrancou com o
carro.
- A gente podia se casar
não é? – Lex falou, como se estivesse distraído olhando para o nada.
- O que? – Falei.
Ele olhou pra mim, os
olhos verdes brilhado mais que nunca.
- É... A gente podia
casar.
Eu pulei em seu pescoço,
rindo. Ele riu junto.
- Então vamos casar. – Ele
falou.
[...]
No dia seguinte, Lex me
comprou um anel e fomos registrar.
Eu não queria uma
cerimônia nem nada. Isso atrapalharia minhas aventuras pelo mundo, ou pelo
universo.
Fomos para o edifício
central e lá fomos mandados para as Províncias do Sul. Fomos eu, Josh, Lex,
Abigail e Benjamin.
A lei estava decretada.
- Como parte do território
americano, todos os habitantes das Províncias do Sul serão obrigados a deixar
os subterrâneos e se reinstalarem na superfície. A suspeita d ameaça foi
extinta e todos tem o direito a liberdade.
Isabel não pôde lutar
contra o próprio filho, então os subterrâneos foram abertos e todos puderam ver
a luz do sol outra vez.
Sophie foi correndo
abraçar o irmão, que logo contou aos pais que estava namorando uma superior e
tinha uma filha, não sei como Isabel suportou.
Finalmente tudo estava
voltando ao normal.
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