sábado, 12 de outubro de 2013

Capítulo 32


Já estávamos morando no Norte há um ano.
Nunca mais tivera notícias de Lex, mas como minhas tatuagens continuavam em constante mudança, eu sabia que ainda estava vivo.
Josh havia começado a namorar uma superior da minha idade.
Seu nome era Dakota. Quando a conheci, ela era verde, o que me deu um pouco de medo, mas ela explicou que era porque tinha comido alguma coisa, que agora não me lembro o que, e isso era um método de defesa do corpo para que ela não passasse mal.
Dakota cuidava de Nik como se fosse sua própria filha e eu nunca vira Josh mais feliz.
O braço mecânico de meu pai era muito mais eficiente que o braço que fora arrancado. Finalmente ele pode terminar a faculdade de medicina e atuar no hospital das províncias.
Abigail me ofereceu uma cadeira na ala de historiadores mundiais, dizendo que eu seria seu braço direito na ONU, eu disse que precisava pensar.
Para mim, o mundo tinha voltado ao normal.
Até que um dia recebemos uma notícia.

[...]

Eu e Josh estávamos acampando em um parque.
- É... Quem diria que depois de tudo aquilo, estaríamos aqui de novo? Comendo morangos em frente a um lago. – Ele falou.
- É... Vou sentir saudades de sair mesmo sendo proibido.
- Pelo menos aqui você tem creme de avelã sempre que quiser.
- Nossa está me chamando de gorda! Eu não sou assim.
Nós rimos.
O silêncio tomou conta do lugar, sendo cortado por um apito agudo.
Josh levou as mãos aos ouvido e estreitou os olhos.
- O que é isso?
- Não sei.
Olhei para cima e uma nave vinha na direção do lago.
- Corre Kat, anda!
Josh me ajudou a levantar e nós corremos para que a nave caísse.
- Cápsula. – Josh falou.
Era uma cápsula de emergência e cápsulas não tinham como aterrissarem, elas simplesmente caíam.
- Eu vou.
- De novo Kat?
- Acho que não devemos mais fazer piqueniques perto de lagos. – Falei, sorrindo.
Andei até o lago e escalei na cápsula.
Meus olhos logo se encheram de lágrimas.
- Josh me ajuda aqui! – Gritei.
Ele veio correndo.
- Cara... Ele realmente não tem sorte nunca!
Abrimos a capsula e tiramos Lex de lá.
- Muito obrigado, eu estava preso. – Ele falou.
Os olhos dele encontraram os meus.
Eu pulei, com os braços enroscando em seu pescoço.
- Você nunca mais vai sair de perto de mim. – Falei, enchendo sua boca de selinhos.
- Nossa, como vocês são melosos. – Josh falou, fazendo com que eu parasse e corasse.
- Josh.
- Lex.
Os dois se abraçaram, o que eu achei estranho de início, mas depois sorri.
- Como sabia que estávamos aqui? – Josh falou.
- As costas da Kat.
Sorri. Era por isso que as tatuagens incomodavam de vez em quando.
Lex pulou da capsula e pulamos logo atrás.
- Tem alguém que vai querer falar com você. – Falei.

[...]

Levei Lex até Abigail, logo os dois estavam falando termos que eu nunca ouvira falar antes.
- Tenho uma pergunta a fazer, seu pai, era ele que organizava os ataques não era? – Abigail chegou ao ponto que eu queria chegar, mas estava com medo de perguntar.
- Sim, era ele mesmo.
- O que aconteceu depois da explosão?
- Bem, eu o apaguei antes de Kat explodir a base. Eu sabia que ele não resistiria a uma explosão e morreria. Eu o apaguei e fiz de tudo para conseguir me teletransportar para o meu planeta. Sabia que era um esforço muito grande e que se eu conseguisse, provavelmente chegaria morto ou quase isso.
- E você conseguiu? – Perguntei.
- Bem... Mais ou menos, eu tive que tentar três vezes, o que acabou com a minha energia. Quando finalmente cheguei ao meu planeta, me levaram direto para uma enfermaria.
Abigail olhou pra mim.
- Seu namorado é sensacional, prima.
- Espera... Prima? – Lex falou.
- Abigail é sobrinha da minha mãe.
Lex sorriu.
- Sua família não acabou Kat. – Ele falou, passando o braço em volta da minha cintura.
Eu sorri, era a primeira vez que eu pensava nisso.
- Vou dispensar os dois... Ficaram um ano sem se ver, vão aproveitar.
Lex me deu a mão e começamos a andar pela cidade.
- Me desculpe. – Ele falou.
- Pelo que?
- Eu não estava aqui o seu aniversário de vinte e dois.
Revirei os olhos e o abracei.
- Não precisa disso.
- Você sabia que eu estava vivo?
- Sabia, quando minhas costas doíam, eu sabia que era você.
Ele sorriu.
- Quer ver a filha do Josh?
- Josh tem uma filha?
- Bem, mais ou menos. Uma superior tinha acabado de dar a luz alguns minutos antes da explosão e me entregou a filha.
Ele voltou os olhos para o chão.
- Nem tudo saiu como a gente planejou. – Ele falou.
- Mas está tudo bem.
Ele me olhou e sorriu.
- Vem, vou te apresentar a ela.
Levei Lex até Dakota, que estava com Nik no colo.
- Dakota. – Falei, sorrindo.
- Oi Kat. Então, esse é o famoso Lex.
Lex corou.
- Posso? – Perguntei, pegando Nik no colo.
Olhei para Nik, que sorriu.
- Tia Kat. – Ela falou, a voz era a coisa mais doce do mundo.
- Oi pequena, olha... Esse é o tio Lex.
- Tio Lex?
- Isso mesmo. – Lex falou, sorrindo.
Ela foi para o colo de Lex e ficou brincando com seus cachos.
Eu ri quando ela puxou o cabelo dele e ele fez uma careta.
- Nik, não faça isso. – Dakota falou, prendendo uma risada.
Peguei Nik e a devolvi à Dakota.
Voltamos a andar pela cidade e mostrei onde eu morava.
Uma casa de dois andares que dava para a rua.
- Que linda.
- É... Mas é bem solitária.
Lex me olhou.
- E Josh? E seu pai?
- Josh agora mora com Dakota e Nik, o que eu acho ótimo, afinal, ele se considerava sem família graças à mãe dele. E Aleck viaja de um lado para o outro, agora que é médico.
- E eu?
Dei um soco de leve em seu braço.
- Você estava desaparecido seu bobo! – Falei, rindo.
Vi o carro de Abigail se aproximando.
- Kat, Lex, temos duas vagas no ONU, e estou pensando em colocar os dois.
- A minha ainda é a mesma? – Perguntei.
- Sim. – Ela falou. – Lex, a sua é acordos intraestrelares. E aí o que me dizem.
Olhei para Lex.
- Eu topo. – Falei.
- Estamos dentro Abigail.
Abigail sorriu.
- Espero os dois amanhã de manhã no edifício central para resolvermos a situação das Províncias do Sul, vamos tirar as pessoas daqueles buracos de minhoca.
Abigail arrancou com o carro.
- A gente podia se casar não é? – Lex falou, como se estivesse distraído olhando para o nada.
- O que? – Falei.
Ele olhou pra mim, os olhos verdes brilhado mais que nunca.
- É... A gente podia casar.
Eu pulei em seu pescoço, rindo. Ele riu junto.
- Então vamos casar. – Ele falou.

[...]

No dia seguinte, Lex me comprou um anel e fomos registrar.
Eu não queria uma cerimônia nem nada. Isso atrapalharia minhas aventuras pelo mundo, ou pelo universo.
Fomos para o edifício central e lá fomos mandados para as Províncias do Sul. Fomos eu, Josh, Lex, Abigail e Benjamin.
A lei estava decretada.
- Como parte do território americano, todos os habitantes das Províncias do Sul serão obrigados a deixar os subterrâneos e se reinstalarem na superfície. A suspeita d ameaça foi extinta e todos tem o direito a liberdade.
Isabel não pôde lutar contra o próprio filho, então os subterrâneos foram abertos e todos puderam ver a luz do sol outra vez.
Sophie foi correndo abraçar o irmão, que logo contou aos pais que estava namorando uma superior e tinha uma filha, não sei como Isabel suportou.
Finalmente tudo estava voltando ao normal.


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