domingo, 1 de setembro de 2013

Capítulo 15

Quando chegamos ao terraço, todos se largaram no chão, menos eu, que tinha minhas feridas nas costas sangrando.
A dor fazia com que minhas costas latejassem e eu não conseguia respirar direito.
- Meu Deus, precisamos parar o sangramento. – Josh falou.
- Esqueci o kit no subterrâneo. – Falou meu pai.
Todos olharam pra ele.
- Temos que pegar o que precisamos por aí. – Josh falou.
Lex olhava em silêncio pra todo mundo.
- Espere, eu... Quero tentar uma coisa. – Ele finalmente falou.
Lex colocou a mão em minhas costas e tudo começou a arder, chegava a ser quase insuportável.
Eu comecei a gritar.
- Você está matando ela! – Josh gritou.
Meu pai segurou Josh para que ele não partisse pra cima de Lex. Acho que meu pai havia compreendido o que Lex estava fazendo.
Eu já estava ficando sem voz quando a dor parou de repente.
Eu e Lex caímos no chão. Estávamos ofegantes e Lex estava pálido.
- Kat... Suas costas. – Josh falou.
Fui até a janela do andar de baixo. Olhei para as minhas costas e lá estavam.
Onde antes tinha feridas abertas, em vez de cicatrizes agora tinha tatuagens do que pareciam galhos de árvores.
Ele havia me curado e não havia deixado nenhuma cicatriz.
Fui até ele e me ajoelhei ao lado de onde ele estava deitado tentando respirar novamente.
- Porque fez isso? – Falei, sorrindo.
- Josh disse que você falou que estava feia... Você não é feia, mas fiz com que não se sentisse mais assim.
Dei um beijo demorado em sua testa.
- E agora olha como você está?
- Continuo bonito.
Me levantei e fui até meu pai e Josh.
Josh tinha a pistola de plasma na cintura e preparava uma lança para meu pai.
- Aonde vão?
- Vou dar umas lições básicas pro seu pai e vou mostrar pra ele onde pegar ervas e “medicamentos”, mesmo com Lex aqui pra fazer tudo, precisamos deles.
Assenti. Senti um pouco de mágoa na voz de Josh, afinal meu pai tinha confiado quando Lex começou a me curar.
Fui até Lex de novo, agora ele dormia. A respiração era profunda e pesada e ele ainda estava meio pálido.
Me deitei sobre o braço dele como se ele estivesse me abraçando.
- Ah Lex... – Falei.
Estava testando para ver se ele estava acordado. Como ele não respondeu, continuei falando.
- Eu não sabia que eu ia me apaixonar por você... E você é um idiota. Mas você salvou a minha vida. E eu confio em você. Mas você é um traidor. Nós nos merecemos porque eu também sou. E, merda, porque eu to admitindo isso? Porque dói guardar isso... Acabei de me responder, que babaquice. Viu, você faz isso comigo seu filho rico de um superior. Nem é um xingamento, é só a verdade...
Resolvi calar a boca, vi que eu estava falando sozinha.
Me abracei a ele e fechei os olhos.
- Como eu pude te amar Lex?
O braço dele se apertou ao meu redor e sua boca encostou minha testa.
- Eu também te amo muito Kat.

[...]

Eu tive medo do meu sonho ser o mesmo do de Lex, até porque ele tinha poderes e não eu não sabia se ele podia ler mentes.
Eu e Lex estávamos em uma casa como existia antigamente. No sonho, éramos mais velhos.
Olhando pelas janelas, passavam carros e pessoas na rua.
Lex estava sentado a um piano e eu estava na bancada da cozinha preparando alguma coisa para comer. Ele tocava Castle On A Cloud e eu murmurava a letra da música.
“Cante mais alto, amor.” - Ele pediu.
Cantei mais alto e assim que a música terminou eu suspirei e sorri.
Então Lex veio por trás de mim e me abraçou pela cintura.
“Amo quando você canta.” – Ele falou, beijando meu pescoço em seguida.
“Obrigada.” – Falei.
“Lembro que a primeira vez foi numa caverna.” – Ele falou.
Eu ainda estava sorrindo.
Ele levantou minha blusa. As tatuagens que eu acabara de ganhar tinham flores rosa e vermelhas e pude jurar que elas estavam abrochando.
“As tatuagens estão florescendo... Tem alguma coisa pra me contar?” – Ele falou.
Olhei para ele.
“Estamos esperando alguém...” – Falei.
Ele me pegou no colo e me girou no ar. Quando me colocou no chão de novo, me deu um beijo lento.
“Há quanto tempo sabe?”
“Desde a semana passada, quando os primeiros botões surgiram nas minhas costas.”
Ele sorriu. Estávamos abraçados, os corpos colados, tão perto um do outro que eu tinha que olhar para cima para olhar dentro dos olhos dele. Ele me deu um beijo na ponta do nariz.
Então o sonho mudou.
“Temos que sair daqui!” – Eu gritava, enquanto batia em uma parede.
“Não tem como sair, é uma parede de pedra, o que quer fazer?” – Josh gritou de volta.
Do chão subia água. Subia rapidamente e eu sabia que se não fizéssemos nada, morreríamos afogados.
“Lex... Alguma ideia?”­ – Eu perguntei.
Ele se levantou e o chão abaixo de nós se moveu, fazendo com que fossemos para cima, onde havia uma abertura circular.
Estávamos a uma velocidade rápida demais e estávamos quase saindo. Então colocaram uma pedra impedindo nossa passagem.
Não deu tempo de a pedra desacelerar e parar.
Acordei procurando ar para respirar. Lex não estava mais ao meu lado e o Sol indicava que devia ser meio dia.
- Josh! Lex! Pai! – Gritei.
Como não veio nenhuma resposta, comecei a procurar pelo prédio.
Chegando ao térreo, ouvi um barulho vindo do alto.
Senti um frio percorrer minhas costas, onde estavam as tatuagens. Espero que elas sejam como no meu sonho e que me avisem se eu estiver fazendo alguma besteira.
Comecei a escalar o prédio em silêncio. Quando cheguei ao penúltimo andar, ouvi o barulho de novo.
Fui vasculhando o andar até que vi Lex mexendo em um saco.
- Lex...
Ele se virou e sorriu.
- Ah, oi Kat.
- O que você está fazendo?
- Vem aqui.
Me sentei ao seu lado.
O saco continha armas, e objetos que eu nunca tinha visto.
- Estavam no meu quarto quando voltei à nave... Isso vai ser útil.
- Você conseguiu falar com seu pai?
Ele baixou a cabeça.
- Ele nem quis me ver... Me chamou de traidor. Ele já me deserdou. Sou um exilado.
Eu estava percebendo semelhanças demais entre eu e Lex. Na visão dos nossos “povos”, éramos traidores perigosos. Estávamos em terra de ninguém, no meio de uma batalha que agora não fazia mais sentido, já que os superiores haviam ganhado. E agora estávamos apaixonados. Isso não era muito bom.
- O que vamos fazer? – Falei.
- Temos que destruir a Emperor.
- Emperor?
- É. Uma estação, onde guardam e abastecem todas as naves. A mais perto daqui é a Emperor. Temos que destruí-la.
- Mas... E o seu pai?
Por um momento ele ficou completamente em silêncio, na escuridão do prédio, só conseguia ver seus olhos verdes que tinham um tom sombrio.
- Acho que ele vai ter que ficar por lá. – Ele falou, sério
Lex pegou uma arma e se levantou, subindo de volta para o terraço.

Olhei dentro do saco e tinha um porta-retratos. Na foto, reconheci Lex pequeno, nos ombros do pai antes de ele ser da frota. Pela paisagem, eles ainda não tinham tomado a Terra, e imagino como Lex devia ser feliz antes de ter um pai tão ausente.

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