Quando
chegamos ao terraço, todos se largaram no chão, menos eu, que tinha minhas
feridas nas costas sangrando.
A
dor fazia com que minhas costas latejassem e eu não conseguia respirar direito.
-
Meu Deus, precisamos parar o sangramento. – Josh falou.
-
Esqueci o kit no subterrâneo. – Falou meu pai.
Todos
olharam pra ele.
-
Temos que pegar o que precisamos por aí. – Josh falou.
Lex
olhava em silêncio pra todo mundo.
-
Espere, eu... Quero tentar uma coisa. – Ele finalmente falou.
Lex
colocou a mão em minhas costas e tudo começou a arder, chegava a ser quase
insuportável.
Eu
comecei a gritar.
-
Você está matando ela! – Josh gritou.
Meu
pai segurou Josh para que ele não partisse pra cima de Lex. Acho que meu pai
havia compreendido o que Lex estava fazendo.
Eu
já estava ficando sem voz quando a dor parou de repente.
Eu
e Lex caímos no chão. Estávamos ofegantes e Lex estava pálido.
-
Kat... Suas costas. – Josh falou.
Fui
até a janela do andar de baixo. Olhei para as minhas costas e lá estavam.
Onde
antes tinha feridas abertas, em vez de cicatrizes agora tinha tatuagens do que
pareciam galhos de árvores.
Ele
havia me curado e não havia deixado nenhuma cicatriz.
Fui
até ele e me ajoelhei ao lado de onde ele estava deitado tentando respirar
novamente.
-
Porque fez isso? – Falei, sorrindo.
-
Josh disse que você falou que estava feia... Você não é feia, mas fiz com que
não se sentisse mais assim.
Dei
um beijo demorado em sua testa.
-
E agora olha como você está?
-
Continuo bonito.
Me
levantei e fui até meu pai e Josh.
Josh
tinha a pistola de plasma na cintura e preparava uma lança para meu pai.
-
Aonde vão?
-
Vou dar umas lições básicas pro seu pai e vou mostrar pra ele onde pegar ervas
e “medicamentos”, mesmo com Lex aqui pra fazer tudo, precisamos deles.
Assenti.
Senti um pouco de mágoa na voz de Josh, afinal meu pai tinha confiado quando
Lex começou a me curar.
Fui
até Lex de novo, agora ele dormia. A respiração era profunda e pesada e ele
ainda estava meio pálido.
Me
deitei sobre o braço dele como se ele estivesse me abraçando.
-
Ah Lex... – Falei.
Estava
testando para ver se ele estava acordado. Como ele não respondeu, continuei
falando.
-
Eu não sabia que eu ia me apaixonar por você... E você é um idiota. Mas você
salvou a minha vida. E eu confio em você. Mas você é um traidor. Nós nos
merecemos porque eu também sou. E, merda, porque eu to admitindo isso? Porque
dói guardar isso... Acabei de me responder, que babaquice. Viu, você faz isso
comigo seu filho rico de um superior. Nem é um xingamento, é só a verdade...
Resolvi
calar a boca, vi que eu estava falando sozinha.
Me
abracei a ele e fechei os olhos.
-
Como eu pude te amar Lex?
O
braço dele se apertou ao meu redor e sua boca encostou minha testa.
-
Eu também te amo muito Kat.
[...]
Eu
tive medo do meu sonho ser o mesmo do de Lex, até porque ele tinha poderes e
não eu não sabia se ele podia ler mentes.
Eu
e Lex estávamos em uma casa como existia antigamente. No sonho, éramos mais
velhos.
Olhando
pelas janelas, passavam carros e pessoas na rua.
Lex
estava sentado a um piano e eu estava na bancada da cozinha preparando alguma
coisa para comer. Ele tocava Castle On A
Cloud e eu murmurava a letra da música.
“Cante mais alto, amor.” - Ele pediu.
Cantei
mais alto e assim que a música terminou eu suspirei e sorri.
Então
Lex veio por trás de mim e me abraçou pela cintura.
“Amo quando você canta.” – Ele falou, beijando
meu pescoço em seguida.
“Obrigada.” – Falei.
“Lembro que a primeira vez foi numa
caverna.” –
Ele falou.
Eu
ainda estava sorrindo.
Ele
levantou minha blusa. As tatuagens que eu acabara de ganhar tinham flores rosa
e vermelhas e pude jurar que elas estavam abrochando.
“As tatuagens estão florescendo...
Tem alguma coisa pra me contar?” – Ele falou.
Olhei
para ele.
“Estamos esperando alguém...” – Falei.
Ele
me pegou no colo e me girou no ar. Quando me colocou no chão de novo, me deu um
beijo lento.
“Há quanto tempo sabe?”
“Desde a semana passada, quando os
primeiros botões surgiram nas minhas costas.”
Ele
sorriu. Estávamos abraçados, os corpos colados, tão perto um do outro que eu
tinha que olhar para cima para olhar dentro dos olhos dele. Ele me deu um beijo
na ponta do nariz.
Então
o sonho mudou.
“Temos que sair daqui!” – Eu gritava, enquanto
batia em uma parede.
“Não tem como sair, é uma parede de
pedra, o que quer fazer?” – Josh gritou de volta.
Do
chão subia água. Subia rapidamente e eu sabia que se não fizéssemos nada,
morreríamos afogados.
“Lex... Alguma ideia?” – Eu perguntei.
Ele
se levantou e o chão abaixo de nós se moveu, fazendo com que fossemos para
cima, onde havia uma abertura circular.
Estávamos
a uma velocidade rápida demais e estávamos quase saindo. Então colocaram uma
pedra impedindo nossa passagem.
Não
deu tempo de a pedra desacelerar e parar.
Acordei
procurando ar para respirar. Lex não estava mais ao meu lado e o Sol indicava
que devia ser meio dia.
-
Josh! Lex! Pai! – Gritei.
Como
não veio nenhuma resposta, comecei a procurar pelo prédio.
Chegando
ao térreo, ouvi um barulho vindo do alto.
Senti
um frio percorrer minhas costas, onde estavam as tatuagens. Espero que elas
sejam como no meu sonho e que me avisem se eu estiver fazendo alguma besteira.
Comecei
a escalar o prédio em silêncio. Quando cheguei ao penúltimo andar, ouvi o
barulho de novo.
Fui
vasculhando o andar até que vi Lex mexendo em um saco.
-
Lex...
Ele
se virou e sorriu.
-
Ah, oi Kat.
-
O que você está fazendo?
-
Vem aqui.
Me
sentei ao seu lado.
O
saco continha armas, e objetos que eu nunca tinha visto.
-
Estavam no meu quarto quando voltei à nave... Isso vai ser útil.
-
Você conseguiu falar com seu pai?
Ele
baixou a cabeça.
-
Ele nem quis me ver... Me chamou de traidor. Ele já me deserdou. Sou um
exilado.
Eu
estava percebendo semelhanças demais entre eu e Lex. Na visão dos nossos
“povos”, éramos traidores perigosos. Estávamos em terra de ninguém, no meio de
uma batalha que agora não fazia mais sentido, já que os superiores haviam
ganhado. E agora estávamos apaixonados. Isso não era muito bom.
-
O que vamos fazer? – Falei.
-
Temos que destruir a Emperor.
- Emperor?
-
É. Uma estação, onde guardam e abastecem todas as naves. A mais perto daqui é a
Emperor. Temos que destruí-la.
-
Mas... E o seu pai?
Por
um momento ele ficou completamente em silêncio, na escuridão do prédio, só
conseguia ver seus olhos verdes que tinham um tom sombrio.
-
Acho que ele vai ter que ficar por lá. – Ele falou, sério
Lex
pegou uma arma e se levantou, subindo de volta para o terraço.
Olhei
dentro do saco e tinha um porta-retratos. Na foto, reconheci Lex pequeno, nos
ombros do pai antes de ele ser da frota. Pela paisagem, eles ainda não tinham
tomado a Terra, e imagino como Lex devia ser feliz antes de ter um pai tão
ausente.
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