segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Capítulo 07

Eu agradeci por meu pai não fazer perguntas do tipo “O que vocês ficaram fazendo?”, afinal, não saberíamos o que responder.
Depois que tomamos café, fomos levar Sophie para a escola, bom... Pelo menos era o que tínhamos como escola.
Sophie ia sentada nos ombros do irmão enquanto nós conversávamos.
- Você está muito calada... O que houve? – Josh falou.
- Eu... Estou um pouco preocupada. É como se tivéssemos uma vida aqui e uma vida lá fora, por mais que não queiramos sair, vamos precisar, porque ele não vai saber fazer nada sozinho.
Josh olhou pra mim.
- O que quer fazer?
- Acho que meu pai devia saber.
- O que?! Não, não, não. Talvez ele conte pra alguém, por mais que eu confie nele, isso é totalmente diferente.
Respirei fundo. Era difícil guardar um segredo daquele tamanho, mas eu conseguiria.
Depois de deixarmos Sophie na escola, fomos até minha casa pegar uma capa extra. Peguei um pouco de pão e saímos.
Subimos no prédio, ele estava vazio.
- Droga, eu sabia que ele ia fugir. – Falei.
- Calma Kat.
- Não, agora ele vai contar pro eles onde é nosso esconderijo.
- Ah, vocês voltaram.
Lex tinha reaparecido.
- Como...?
- Fiquei invisível, é alguns de nós tem poderes. – Ele falou, parecendo meio constrangido.
Dei a ele a capa.
- Se quiser andar por ai com a gente, vai ter que usar isso. – Falei.
- Pra quê?
- Camuflagem, apesar de que não vale de nada agora sabendo que você fica invisível. – Josh falou.
- Não é permanente, só por um tempo.
Josh não podia estar amolecendo. Ele achava tudo aquilo legal, mas não era bem assim. Ele estava passando a “gostar” de Lex e isso não era muito certo... Ou não.
- Então, vamos? – Falei.
Descemos o prédio e fomos para o meio da floresta que tinha se crescido novamente.
- Josh, a gente tem que levar carne pro buraco... Não acho que só morangos e pão vão resolver muito a situação de lá.
- Quer caçar?
- Acho que sim.
- Não temos armas. – Lex falou. – É... Precisam de armas pra caçar não é?
- A gente constrói arco e flechas, temos o que precisamos no prédio. – Josh falou.
Passamos a manhã procurando madeira para poder fazer os arcos, no começo da tarde, já estávamos famintos e cansados.
- Descansem aí, vou pegar alguma coisa pra comer. – Josh falou e saiu andando, me deixando sentada ao lado de Lex.
Ficar sozinha ali com ele me dava um pouco de medo, principalmente depois de saber que ele tinha poderes e eu não sabia quais.
- Eu andei pensando enquanto vocês foram no buraco.
Olhei para ele. Tinha o olha fixo no chão, onde fazia desenhos na areia com um pedaço de graveto. Que o olhasse, falaria que era um humano. Quis pensar daquele jeito, mas mesmo me esforçando, eu não conseguia.
- Quero falar com meu pai, pedir pra ele deixar o planeta de vocês.
Finalmente e levantou os olhos pra mim.
- Eu não admito o que eles fizeram, eles tiraram sua família. Enquanto todos nós temos as nossas, vários de vocês se perderam.
- O que quer provar? – Perguntei.
- Nada, só quero dar a vocês a liberdade que meu povo tirou.
Pela primeira vez, eu via Lex com outros olhos, ele conseguia pensar completamente diferente deles e conseguia ser diferente de como eu os via.
- Acho que não vai dar certo. – Falei, com sinceridade.
- E porque não?
- Você mesmo disse que havia brigado com seu pai... Ele não vai ouvi-lo e mesmo se ouvir, com esse pedido é provável que ele te mate.
- Porque diz isso?
- Estou tirando como exemplo o meu povo. Se um dia eu e Josh pedirmos pra te abrigar no buraco, os pais de Josh vão mandar nos matar ou nos exilar e ninguém dirá nada, afinal, é melhor esquecer duas pessoas do que inserir um de vocês entre nós.
Ele assentiu, parecia entender o que eu havia dito.
- Preciso de motivos. – Ele falou, depois de longos minutos de silêncio.
- O que?
- Você deve conhecer vários lugares da superfície. Depois que a abandonaram pra morar em subterrâneos, você e Josh devem ter visto vários lugares que mudaram depois dessa mudança.
- Conheço sim vários, mas... Pra quê quer vê-los.
- Vou mostrá-los ao meu pai, e aí, ele vai deixar o planeta depois de ter uma conversa séria comigo.
Eu queria acreditar que aquele plano dele daria certo, mas eu sabia que era absurdo. Ele estava sendo fofo, mostrando ser diplomata, querendo paz entre os dois povos, mas seria impossível.
- Você me leva? – Ele falou.
- O que?
- Me leva a esses lugares?
Por mais que eu soubesse que seu plano não daria certo, eu mostraria os lugares a ele, ele merecia ver.
- Tudo bem, assim que Josh voltar, vamos à pedra.

Ele sorriu e não pude deixar de sorrir.

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